Exumação encontra marcas de unha no pescoço de PM morta com tiro na cabeça em apartamento de São Paulo
O laudo necroscópico realizado após a exumação do corpo da policial militar Gisele Santana, de 32 anos, encontrada morta em seu apartamento no Brás, região central da capital paulista, com um tiro na cabeça, revelou a presença de lesões contundentes no rosto e no pescoço da vítima. Segundo os peritos, há sinais claros de que ela desmaiou antes de ser baleada na cabeça e que não apresentou qualquer reação de defesa.
O documento, obtido com exclusividade pela TV Globo, detalha que essas lesões foram causadas "por meio de pressão digital e escoriação compatível com estigma ungueal", ou seja, marcas de unha. A PM foi localizada sem vida dentro da residência que dividia com o marido, o tenente-coronel da Polícia Militar Geraldo Leite Rosa Neto, de 53 anos. Inicialmente registrado como suicídio, o caso foi reclassificado como morte suspeita, motivando a exumação e novos exames no Instituto Médico-Legal (IML) Central no último sábado (7), incluindo uma tomografia.
Inconsistências no horário e na cena do crime chamam atenção
A investigação conduzida pela Polícia Civil e pela Corregedoria da PM também está analisando possíveis contradições no horário da morte. Uma vizinha do casal afirmou à polícia que acordou às 7h28 após ouvir um estampido único e forte proveniente do apartamento. Esse horário é aproximadamente meia hora anterior à primeira ligação realizada pelo marido da vítima ao serviço de emergência, registrada às 7h57.
Na chamada para a Polícia Militar, Geraldo Neto declarou: "Minha esposa é policial feminina. Ela se matou com um tiro na cabeça. Manda o resgate e uma viatura aqui agora, por favor". Minutos depois, às 8h05, ele telefonou para o Corpo de Bombeiros, informando que a mulher ainda respirava. As equipes de socorro chegaram ao local às 8h13.
Socorristas relatam cena incomum e conduta do marido
Um dos socorristas que atendeu a ocorrência relatou que achou a cena extremamente atípica e decidiu fotografá-la. Segundo seu depoimento, a arma estava posicionada na mão da vítima de uma maneira que ele nunca havia observado em casos de suicídio. O profissional também destacou que o sangue já estava coagulado quando a equipe chegou ao apartamento e que não havia cartucho de bala no local.
Além disso, ele afirmou que, apesar de o tenente-coronel alegar que estava tomando banho no momento do disparo, não havia água no chão do imóvel. Outro bombeiro, com 15 anos de experiência, reforçou essa observação, declarando que encontrou Geraldo de bermuda, sem camisa e completamente seco, sem nenhuma pegada molhada que indicasse uma saída abrupta do banheiro.
A conduta emocional do marido também chamou a atenção dos socorristas. Eles relataram não ter visto nenhum sinal de desespero ou choro por parte do oficial, que, segundo testemunhas, "falava calmamente" ao telefone, questionava constantemente o atendimento prestado e insistia para que a vítima fosse removida com urgência para o hospital. Os profissionais ainda notaram a ausência de marcas de sangue no corpo ou nas roupas de Geraldo, sugerindo que ele não tentou prestar os primeiros socorros à esposa.
Presença de desembargador no local gera questionamentos
Outro ponto que está sob escrutínio dos investigadores é a presença do desembargador Marco Antônio Pinheiro Machado Cogan, do Tribunal de Justiça de São Paulo, no prédio na manhã da morte. Registros indicam que ele chegou ao local por volta das 9h07 e subiu ao apartamento na companhia do tenente-coronel. Às 9h18, o magistrado reapareceu no corredor, e aproximadamente onze minutos depois, Geraldo Neto também saiu do imóvel, já vestindo outra roupa e após ter tomado banho.
Policiais que atenderam a ocorrência relataram que o oficial retornou com um cheiro forte de produto químico. O advogado da família da policial, José Miguel da Silva Junior, questionou publicamente a presença do desembargador no local, afirmando: "Ele vai ter que explicar por que estava lá. Pelo relato que temos, o desembargador foi a primeira pessoa acionada após o disparo".
Laudos apontam falhas na preservação do local e defesas se manifestam
Laudos da Polícia Científica já indicaram que o local onde o corpo foi encontrado não foi preservado adequadamente, o que comprometeu parte da perícia e impediu, naquele momento, a conclusão definitiva sobre quem efetuou o disparo. Os investigadores agora aguardam os resultados dos novos exames realizados após a exumação para esclarecer as circunstâncias exatas da morte da soldado.
Em nota, a defesa do tenente-coronel Geraldo Neto afirmou que ele não é investigado, suspeito ou indiciado no processo e que tem colaborado com as autoridades desde o início. Já a defesa do desembargador Marco Antônio Pinheiro Machado Cogan informou que ele foi chamado ao apartamento como amigo do tenente-coronel e que eventuais esclarecimentos serão prestados à polícia judiciária. O caso segue sob investigação, com a expectativa de que as novas evidências tragam luz a este episódio trágico e cheio de interrogações.



