Ex-professor da FMP é denunciado por crimes sexuais contra dez mulheres no RS
Ex-professor denunciado por crimes sexuais contra dez mulheres

Ex-professor da FMP enfrenta denúncia por crimes sexuais contra dez mulheres no Rio Grande do Sul

O Ministério Público do Rio Grande do Sul formalizou denúncia contra o advogado e ex-professor da Fundação Escola Superior do Ministério Público, Conrado Paulino da Rosa, acusando-o de cometer crimes sexuais contra dez mulheres. As acusações incluem estupro, estupro de vulnerável, violência psicológica e cárcere privado, conforme detalhado na ação judicial.

Conrado Paulino da Rosa nega veementemente todas as acusações apresentadas. Através de comunicado oficial, sua defesa, representada pela advogada Fernanda Osorio, afirmou que ainda não teve acesso ao conteúdo completo da denúncia. A nota jurídica também menciona que foram apresentadas à Justiça "elementos que indicam possível convergência indevida" entre uma das partes interessadas no processo e agentes responsáveis pela investigação, levantando questionamentos sobre a imparcialidade da apuração.

Investigação detalhada e depoimentos das vítimas

A Polícia Civil conduziu extensa investigação que ouviu depoimentos de 18 mulheres que se declararam vítimas de Conrado, além de 16 testemunhas, antes de encaminhar o caso ao Ministério Público. A denúncia judicial abrange doze crimes distintos, com relatos que descrevem padrão comportamental preocupante.

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Nos depoimentos coletados, as mulheres relataram que o ex-professor criava ambiente de confiança e proximidade que, segundo suas declarações, era posteriormente utilizado para facilitar a prática dos abusos sexuais. As vítimas também descreveram episódios específicos de relações sexuais marcadas por agressões físicas violentas, incluindo:

  • Tapas no rosto sem consentimento prévio
  • Lesões corporais diversas
  • Hematomas resultantes de força excessiva

Além da violência física, os relatos incluem violência psicológica sistemática, com comentários depreciativos sobre a vida profissional e a aparência das vítimas. Após o término dos relacionamentos, conforme alguns depoimentos, Conrado teria espalhado boatos e distorcido fatos com o objetivo claro de prejudicar as mulheres profissionalmente.

Andamento processual e medidas cautelares

O ex-professor chegou a ser investigado por suspeita de abusos supostamente facilitados pelo uso de substâncias químicas, mas não foi indiciado por esse tipo específico de crime. Análises toxicológicas realizadas em medicamentos apreendidos em sua residência durante busca e apreensão apresentaram resultado negativo, assim como o exame toxicológico capilar realizado posteriormente.

Conrado foi preso preventivamente em 26 de setembro, permanecendo detido até 21 de outubro, quando deixou a Penitenciária Estadual de Canoas. Atualmente, ele cumpre medidas cautelares determinadas pela Justiça, incluindo:

  1. Uso de tornozeleira eletrônica para monitoramento
  2. Proibição absoluta de contato com as vítimas
  3. Restrições específicas de circulação durante o período noturno

Segundo a delegada Fernanda Campos Hablich, que comandou as investigações, o pedido de prisão preventiva foi fundamentado na constatação de que vítimas e testemunhas demonstravam medo genuíno de prestar depoimento por temer supostas retaliações por parte do acusado.

Repercussões profissionais e alegações da defesa

Logo após as denúncias se tornarem públicas, Conrado Paulino da Rosa foi desligado do quadro de professores da FMP, perdendo sua posição na instituição de ensino. A defesa do ex-professor apresentou queixa em dezembro, alegando ter enfrentado "restrições injustificadas ao acesso a informações essenciais" durante a fase investigatória.

Os advogados de Conrado também declararam ter comunicado formalmente às autoridades supostos vazamentos seletivos de informações, além de apontarem a ausência de diligências básicas que consideram necessárias para o andamento regular do processo. Os casos envolvendo as dez mulheres teriam ocorrido no período entre 2013 e 2025, conforme a linha temporal estabelecida na denúncia do Ministério Público gaúcho.

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