Ex-policial militar recebe sentença de 32 anos por participação em crime contra contraventor
Rodrigo Silva das Neves, ex-policial militar que estava preso desde 2021 acusado de envolvimento no assassinato do bicheiro Fernando Iggnácio em 2020, foi condenado nesta sexta-feira (10) por homicídio triplamente qualificado. A pena aplicada pelo tribunal do júri foi de 32 anos, 9 meses e 18 dias de reclusão, com a sentença sendo declarada por volta das 18h.
A defesa do ex-PM já anunciou que vai recorrer da decisão judicial. O advogado Luiz Felipe Alves e Silva argumentou durante os debates que não existiam provas suficientes para ligar seu cliente diretamente à execução do crime.
Acusações detalhadas e evidências apresentadas
Segundo o Ministério Público, Rodrigo Silva das Neves teve participação ativa no homicídio. As acusações incluem sua presença no local do crime, o fornecimento do veículo utilizado para o assassinato e a descoberta das armas do crime em seu apartamento.
Em um diário encontrado por investigadores, o próprio Rodrigo teria lamentado o dia em que as armas foram achadas em sua residência, conforme revelado durante o processo.
A promotora Andréa Fava, durante os debates, fez duras críticas ao sistema de contravenção no Estado: "A contravenção é um dos grandes cânceres desse Estado", destacou a representante do MP, ao abordar o poder que bicheiros e contraventores teriam para ordenar mortes com auxílio de agentes públicos.
Defesa contesta provas e estratégia processual
O defensor Luiz Felipe Alves e Silva questionou a falta de exame de digitais nas armas encontradas na casa de seu cliente e negou qualquer participação de Rodrigo no assassinato. A defesa também afirmou que a investigação conduzida pela Delegacia de Homicídios foi "uma farsa" e negou qualquer ligação entre Rodrigo e Rogério Andrade, apontado como mandante do crime.
O julgamento teve início com três réus, mas apenas Rodrigo foi efetivamente julgado nesta sexta-feira. Pedro Emanuel D’Onofre Andrade Silva Cordeiro (conhecido como Pedrinho) e Otto Samuel D’Onofre Andrade Silva Cordeiro tiveram seu júri suspenso após dispensarem o advogado Flávio Fernandes durante a sessão.
Contexto do crime e outros envolvidos
Fernando Iggnácio, genro e herdeiro do contraventor Castor de Andrade, foi executado em 10 de novembro de 2020 no Recreio dos Bandeirantes, Zona Oeste do Rio de Janeiro. A vítima havia acabado de desembarcar de um helicóptero vindo de Angra dos Reis quando foi alvejada com tiros de fuzil 556 ao caminhar até seu carro.
As investigações apontam Rogério Andrade, sobrinho de Castor de Andrade e considerado por muitos como o maior bicheiro do Rio, como mandante do crime. Andrade está preso desde outubro de 2024 no Presídio Federal de Campo Grande, em Mato Grosso do Sul, mas não integra este julgamento específico.
Um quarto suspeito, Ygor Rodrigues Santos da Cruz (conhecido como Farofa e apontado como matador de aluguel), foi encontrado morto em novembro de 2022 no Terreirão, também no Recreio dos Bandeirantes.
O júri popular de Rodrigo Silva das Neves foi retomado às 10h45 desta sexta-feira após ter ouvido testemunhas de acusação e defesa na quinta-feira (9), incluindo o delegado responsável pela investigação e o piloto de helicóptero que prestava serviços à vítima.



