Ex-guarda municipal mantém silêncio em audiência por duplo homicídio em Teresina
O ex-guarda civil municipal Francisco Fernando de Oliveira Castro, de 38 anos, optou por permanecer em silêncio durante o interrogatório da acusação na segunda sessão da audiência de instrução e julgamento realizada nesta terça-feira (7), em Teresina. O processo investiga as mortes da comandante da Guarda Civil Municipal de Parnaíba, Penélope Brito, e do vereador Thiciano Ribeiro.
Segundo informações confirmadas ao g1 pelo advogado Rony Staylon, representante das famílias das vítimas, o réu apenas respondeu às perguntas feitas por sua própria defesa, recusando-se a falar com a acusação. A audiência também incluiu depoimentos de testemunhas tanto da acusação quanto da defesa, além do interrogatório formal do acusado.
Andamento processual e próximos passos
Conforme explicou o advogado Rony Staylon, não houve decisão judicial nesta etapa do processo. O caso agora avança para a fase de alegações finais, que antecede a sentença definitiva. Até o momento, não existe data definida nem prazo estabelecido para a conclusão dessa fase processual.
A audiência desta terça-feira havia sido remarcada após um adiamento anterior. Inicialmente, as sessões estavam previstas para março, mas foram reagendadas depois que a defesa do réu apresentou um atestado médico para a realização de uma cirurgia oftalmológica.
Detalhes do crime e histórico do acusado
Francisco Fernando de Oliveira Castro foi expulso da Guarda Civil Municipal de Parnaíba em janeiro de 2026, aproximadamente cinco meses após o crime duplo. Ele permanece preso desde sua captura.
O crime ocorreu no dia 27 de agosto de 2025, no Centro de Teresina, quando Penélope Brito e Thiciano Ribeiro foram assassinados a tiros. Um vídeo registrou o momento exato em que as vítimas foram baleadas. Durante o incidente, o taxista Paulo Pereira, que estava próximo ao local, foi ferido por estilhaços de vidro de seu próprio carro, atingido por um dos disparos.
O ex-guarda civil, que era ex-marido de Penélope, foi preso na capital horas após o crime e autuado em flagrante. Durante a operação policial, foram apreendidas sete armas e centenas de munições em seu poder.
Motivação e investigação
De acordo com a delegada responsável pelo caso, o guarda civil agiu com extrema violência e de forma premeditada. A investigação apontou que ele teria descoberto que Penélope e Thiciano estavam em Teresina após o vereador divulgar compromissos na capital em suas redes sociais.
A Polícia Civil concluiu, baseada em depoimentos de familiares e amigos das vítimas, além de laudos periciais, que Francisco não aceitava o fim do relacionamento com Penélope e apresentava comportamento controlador e agressivo.
Perfil das vítimas
Thiciano Ribeiro da Cruz, de 41 anos, era o primeiro suplente do Partido Liberal (PL) na cidade de Parnaíba e assumiu o cargo de vereador no dia 12 de maio. Advogado de formação, ele havia atuado anteriormente como secretário de transportes do município antes de assumir suas funções na Câmara Municipal.
Penélope Miranda de Brito era comandante da Guarda Civil Municipal de Parnaíba e recentemente atuara como secretária interina da Secretaria de Transporte, Trânsito e da Articulação com as Forças de Segurança. Ela deixa um filho de 5 anos, fruto de seu relacionamento com o ex-marido acusado.
Francisco Fernando de Oliveira Castro foi indiciado pelos crimes de feminicídio, homicídio e tentativa de homicídio, aguardando agora as alegações finais do processo que pode definir seu destino judicial.



