Ex-diretora de presídio confessa em delação que facilitou fuga de 16 detentos a pedido de ex-deputado
Em uma revelação chocante, a ex-diretora do Conjunto Penal de Eunápolis, Joneuma Silva Neres, admitiu em delação premiada assinada com o Ministério Público da Bahia (MP-BA) que facilitou a fuga de 16 detentos da unidade em dezembro de 2024. Segundo o documento, acessado pelo g1 e TV Bahia, ela agiu a pedido do ex-deputado federal Uldurico Júnior (PSDB), que foi preso na quinta-feira (16) e nega qualquer envolvimento no crime.
Detalhes da delação e relação com Uldurico Júnior
Joneuma Neres, que ficou presa por mais de um ano e atualmente cumpre prisão domiciliar, detalhou sua participação e a de outras pessoas no plano de fuga. Ela assumiu que tinha conhecimento da negociação e agiu com negligência, confirmando ainda que foi nomeada diretora do presídio por indicação de Uldurico Júnior, com quem manteve um relacionamento amoroso. A ex-diretora conheceu o político através da deputada Claudia Oliveira (PSD), quando trabalhava na Unidade Prisional de Teixeira de Freitas.
Conforme seu relato, Uldurico Júnior costumava visitar os internos, incluindo chefes de facções, em conversas "de portas fechadas", consideradas normais. Após sua nomeação em março de 2024, ele compareceu ao presídio acompanhado de figuras como o candidato a vereador Alberto Cley Santos Lima, conhecido como Cley da Auto Escola, e solicitou encontros com líderes criminosos, pressionando Joneuma a atender seus pedidos.
Negociação financeira e adiantamento da fuga
Joneuma revelou que Uldurico Júnior, após perder a eleição para prefeito de Teixeira de Freitas, pressionou-a para intermediar contatos com Ednaldo Pereira Souza (Dadá), chefe da facção Primeiro Comando de Eunápolis (PCE), visando obter recursos financeiros. Segundo ela, o ex-deputado negociou a fuga por R$ 2 milhões, com um adiantamento de R$ 200 mil pago antes do crime.
Em novembro de 2024, em um hotel em Eunápolis, Uldurico Júnior, Joneuma e uma pessoa de confiança de Dadá firmaram o acordo por chamada de viva-voz. A ex-diretora descreveu como entregou o dinheiro em uma caixa de sapato ao pai do político, com parte dos valores sendo depositados em contas bancárias. Ela afirmou que Uldurico Júnior continuou a pedir mais adiantamentos, mas Dadá recusou, insistindo no pagamento total após a fuga.
Fuga antecipada e ameaças
A fuga, originalmente planejada para 31 de dezembro, foi adiantada para 12 de dezembro após Dadá ser informado por um policial sobre uma fiscalização iminente e possível transferência. Joneuma confessou que sabia dos preparativos, incluindo um buraco na cela e uma arma, mas tentou acobertar o barulho. Ela também relatou ameaças de Uldurico Júnior em um hotel em Salvador, onde ele mencionou dividir o dinheiro com o ex-ministro Geddel Vieira Lima (MDB), que nega qualquer envolvimento.
Reações das defesas e investigações em andamento
A defesa de Uldurico Júnior classificou as alegações da delação como falsas, afirmando que ele nunca teve conhecimento do plano ou recebeu dinheiro. Geddel Vieira Lima expressou indignação, negando ter relação com o caso e acusando Uldurico de usar seu nome indevidamente. O Ministério Público da Bahia continua investigando, com foco em termos como "chorar as rosas", usado nas mensagens para se referir ao pagamento restante.
Este caso destaca graves falhas no sistema penitenciário e a influência política no crime organizado, com investigações que podem revelar mais conexões e responsabilidades.



