Estudantes de Direito são investigados por agressão a morador de rua em Belém
A Polícia Civil e o Ministério Público Federal (MPF) estão investigando um caso de violência contra um homem em situação de rua ocorrido na manhã de segunda-feira (13), na avenida Alcindo Cacela, no centro de Belém, capital do Pará. Dois estudantes de Direito foram identificados como suspeitos de participarem ativamente das agressões, que foram registradas em vídeos que circulam nas redes sociais.
Detalhes do ataque violento
O ataque ocorreu em frente a uma universidade particular na movimentada avenida Alcindo Cacela. Os vídeos que viralizaram mostram duas ocasiões distintas em que um dos estudantes se aproxima da vítima, que caminhava de costas, e aplica descargas elétricas com uma arma de choque. Nas imagens, é possível ver os dois jovens participando da ação e demonstrando risadas durante as agressões, comportamento que gerou revolta nas redes sociais.
Testemunhas do ocorrido, incluindo entregadores de aplicativo que passavam pelo local, presenciaram o caso e tentaram alcançar os suspeitos para impedir a continuidade das agressões. Os jovens, no entanto, conseguiram fugir para dentro da universidade, onde os entregadores não conseguiram entrar, gerando confusão no local que exigiu a intervenção da Polícia Militar.
Identificação dos envolvidos
Os estudantes foram identificados como Altemar Sarmento Filho, de 18 anos, calouro do curso de Direito, apontado como quem utilizou a arma de choque, e Antônio Coelho, aluno do 6º semestre, que teria registrado as imagens das agressões. Antônio é filho da diretora-geral do Departamento de Trânsito do Pará (Detran-PA), cuja assessoria informou que não comentaria o caso.
Os dois prestaram depoimento à Polícia Civil na terça-feira (14) na delegacia de São Brás. Antônio Coelho se apresentou voluntariamente, enquanto Altemar Sarmento Filho chegou acompanhado de advogados e com o rosto coberto por um paletó. Ambos permaneceram em silêncio durante o depoimento e foram liberados após os procedimentos policiais.
Posicionamento das defesas e da universidade
A defesa de Antônio Coelho afirmou que não tinha conhecimento da suposta participação do cliente no caso e que tomou ciência dos fatos por meio da imprensa. Já os advogados de Altemar Sarmento Filho informaram que ele deve aguardar a perícia dos vídeos e a conclusão do inquérito policial, argumentando ainda que a arma de choque utilizada não seria letal por estar danificada.
O Centro Universitário do Estado do Pará (Cesupa), onde os estudantes estão matriculados, emitiu nota lamentando o ocorrido e informando que adotou medidas imediatas de colaboração com as autoridades. A instituição afastou os dois estudantes das atividades acadêmicas e abriu um procedimento administrativo interno para apuração dos fatos. O coordenador do curso de Direito acompanhou as providências na delegacia, e a universidade afirmou que aplicará seu Regulamento Geral e Código de Ética e Conduta para definir as punições cabíveis.
Investigações em andamento
A Polícia Civil instaurou inquérito para investigar o caso e apreendeu a arma de choque, que passará por perícia técnica. As investigações buscam esclarecer as circunstâncias das agressões e apurar se há envolvimento dos suspeitos em outros episódios semelhantes. Até o momento, a polícia não informou por quais crimes os estudantes poderão ser indiciados.
O Ministério Público do Estado do Pará (MPPA) informou que acompanha o caso e afirmou que a conduta pode, em tese, configurar o crime de lesão corporal, previsto no artigo 129 do Código Penal, com possíveis agravantes pela vulnerabilidade da vítima e pela repetição dos ataques. O órgão adotou medidas como a requisição de inquérito policial e, havendo suporte probatório adequado, poderá oferecer denúncia contra os envolvidos.
Contexto preocupante e estado da vítima
Há relatos de estudantes e de uma moradora da região de que o mesmo homem em situação de rua já teria sido alvo de agressões anteriores. Segundo alunos ouvidos, esses ataques seriam constantes e ocorreriam como parte de "desafios" entre jovens, embora não haja confirmação oficial sobre a autoria desses episódios anteriores.
Até a última atualização das investigações, não havia informações disponíveis sobre o estado de saúde do homem agredido, o que aumenta a preocupação com sua situação de vulnerabilidade. As autoridades continuam coletando provas e depoimentos para elucidar completamente o caso que chocou a população paraense e ganhou repercussão nacional.



