Dois anos após execução de advogado no Rio, investigações buscam mandante do crime
Dois anos após execução de advogado, investigações buscam mandante

Dois anos após execução de advogado no Rio, investigações buscam mandante do crime

Passados dois anos da execução do advogado Rodrigo Marinho Crespo, ocorrida no dia 26 de fevereiro de 2024, as investigações da Delegacia de Homicídios e do Ministério Público do Rio de Janeiro continuam empenhadas em desvendar quem foi o mandante do crime. A polícia também mantém buscas ativas, desde o ano passado, pelos suspeitos de participação direta na execução, em um caso que envolve tramas complexas ligadas ao setor de apostas e à máfia dos cigarros ilegais.

Suspeitos presos e acusações

Em abril de 2025, os policiais militares Fernando de Souza Júnior, conhecido como Shurek, e Renato Franco Lopes, apelidado de Pitbull, foram presos em flagrante por porte ilegal de arma, em uma operação que mirava matadores de aluguel suspeitos da execução do advogado. Já em abril de 2024, três indivíduos se tornaram réus na Justiça, acusados de monitorar a vítima antes do crime: o policial militar Leandro Machado da Silva, Cezar Daniel Mondego de Souza e Eduardo Sobreira Moraes.

Segundo as investigações, Leandro Machado da Silva teria providenciado os carros utilizados no crime e se entregou na Delegacia de Homicídios poucos dias após o assassinato. Cezar Daniel Mondego de Souza é apontado como responsável por monitorar a vítima, enquanto Eduardo Sobreira Moraes teria dirigido o veículo para Cezar durante o acompanhamento dos passos de Rodrigo antes do homicídio. Os três serão levados a júri popular no início de março.

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Tese do Ministério Público e conexões criminosas

Para o Ministério Público, a principal tese é que a execução foi um recado contra possíveis atividades de Crespo ligadas ao setor de apostas. O advogado teria como objetivo negociar sua entrada na exploração lícita de jogos de azar online, com planos de abrir um Sports bar na Zona Sul do Rio, onde também poderiam ser feitas apostas. Testemunhas ouvidas na investigação confirmaram que Crespo foi procurado em dezembro de 2023 para discutir negócios nessa área.

Um quarto homem, Ryan Patrick Barboza de Oliveira, foi preso por sua ligação com o crime, também suspeito de monitorar os passos da vítima. As investigações revelaram que Ryan acompanhou Rodrigo no Centro da cidade até as 11h da manhã do dia do crime, sendo substituído posteriormente por Cezar e Eduardo. Ryan também está envolvido em outros crimes, incluindo o assassinato do dono do bar Parada Obrigatória, Antônio Gaspaziane Mesquita Chaves, e a execução do empresário Thiago Trigueiro Gomes, em São Gonçalo.

Conexão com a máfia dos cigarros e Adilsinho

As investigações da Delegacia de Homicídios da Capital indicam que os criminosos já estavam atrás de Rodrigo desde outubro de 2023, com anotações das placas de seus veículos encontradas em celulares de um dos investigados. Além disso, o Gol branco utilizado para seguir Crespo também foi empregado para monitorar Thiago Trigueiro Gomes, em um caso ligado à máfia dos cigarros de Adilsinho.

Adilson Oliveira Coutinho Filho, conhecido como Adilsinho, apontado como chefe da máfia dos cigarros ilegais do Rio e bicheiro, foi alvo de mandados de busca e apreensão em abril de 2024. Atualmente foragido, ele responde por múltiplos crimes, incluindo mandante de assassinatos de rivais no Jogo do Bicho. Sua defesa nega qualquer envolvimento com os fatos, afirmando confiança na Justiça para comprovar sua inocência.

Defesas dos acusados

A defesa de Leandro Machado da Silva manteve-se reservada, afirmando que se manterá íntegra à tese defensiva apresentada durante o processo. Já a defesa de Eduardo Sobreira Moraes reafirmou sua convicção na inocência do cliente, criticando a narrativa acusatória por falta de respaldo nas provas. A defesa de Cezar Daniel Mondego não se manifestou até a publicação desta reportagem.

As investigações continuam, com a polícia e o Ministério Público empenhados em esclarecer todos os detalhes deste crime que chocou o Rio de Janeiro e expôs conexões perigosas entre o mundo das apostas e o crime organizado.

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