Dois meses após desaparecimento, investigação da família Aguiar ganha novos suspeitos no RS
A investigação sobre o desaparecimento da família Aguiar, em Cachoeirinha, na Região Metropolitana de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, entrou em uma fase decisiva com a inclusão de novos suspeitos. Segundo o delegado Anderson Spier, a esposa, o irmão e um amigo do policial militar Cristiano Domingues Francisco, que já estava preso temporariamente, passaram da condição de testemunhas para investigados. O caso, que completa dois meses, tem como principal linha a hipótese de feminicídio, duplo homicídio e ocultação de cadáver.
Novos investigados e suspeitas de obstrução
Milena Ruppenthal Domingues, companheira do PM Cristiano e profissional de TI, é suspeita de fraude processual por apagar dados em dispositivos eletrônicos e na nuvem. Wagner Domingues Francisco, irmão do policial, teria deletado imagens de câmeras de segurança da casa onde mora com a mãe, também sendo investigado por fraude processual. Um amigo de Cristiano, cujo nome não foi divulgado, é investigado por falso testemunho, após supostamente mentir para fornecer falsos álibis ao principal suspeito.
"Eles já foram interrogados e pregressados, que é quando informamos das descobertas e da condição que eles passaram a ter na investigação", explicou o delegado Spier. As defesas de Milena, Wagner e do amigo não foram localizadas ou não responderam aos contatos da imprensa até o momento.
Inquérito perto da conclusão e motivação do crime
O PM Cristiano será ouvido novamente na próxima semana, em um depoimento que deve ser o último antes da conclusão do inquérito. Ele, juntamente com a esposa, o irmão e o amigo, devem ser indiciados. A polícia praticamente descarta encontrar Silvana Germann de Aguiar e seus pais, Isail e Dalmira Aguiar, com vida, já que suas contas bancárias não tiveram movimentação desde o desaparecimento nos dias 24 e 25 de janeiro.
A motivação do crime estaria ligada a desavenças na criação do filho entre Silvana e o ex-marido. Silvana havia procurado o Conselho Tutelar para relatar que Cristiano não seguia orientações sobre restrições alimentares da criança, e planejava entrar com um processo judicial sobre a guarda. Outro fator investigado é o patrimônio da família Aguiar, que incluía imóveis e poderia ser herdado pelo neto em caso de morte das vítimas.
Linha do tempo do caso
O desaparecimento da família Aguiar segue uma sequência de eventos que começaram antes do sumiço:
- 2 de janeiro: Silvana solicita contato do Conselho Tutelar em grupo de mensagens.
- 9 de janeiro: Ela registra no Conselho Tutelar que o ex-marido desrespeitava restrições alimentares do filho.
- 24 de janeiro: Silvana é vista pela última vez; uma postagem falsa em redes sociais sobre acidente em Gramado é usada para despistar.
- 25 de janeiro: Os pais saem para procurá-la, visitam Cristiano e depois desaparecem.
- 10 de fevereiro: Cristiano é preso temporariamente após quebra de sigilo telefônico.
- 25 de fevereiro: Silvana é considerada a 20ª vítima de feminicídio no RS em 2026.
- 24 de março: Caso completa dois meses, com buscas contínuas e investigação avançada.
A polícia continua com buscas em áreas rurais e matas próximas a Cachoeirinha, utilizando cães farejadores, mas as chances de encontrar a família com vida são consideradas remotas. O caso tem mobilizado a comunidade local e chamado a atenção para questões de violência doméstica e segurança pública no estado.



