Hacker condenado por invasão ao CNJ obtém benefício educacional
O hacker Walter Delgatti Neto, que se encontra preso desde o ano passado na unidade conhecida como "presídio dos famosos", localizada em Tremembé, no interior do estado de São Paulo, conseguiu uma redução significativa em sua pena. Conforme decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, publicada nesta segunda-feira (6), Delgatti terá 100 dias a menos em sua sentença por ter sido aprovado no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).
Decisão judicial baseada em mérito educacional
No documento divulgado, o ministro Alexandre de Moraes considerou que o réu foi aprovado em todas as áreas de conhecimento do Enem, incluindo a prova de redação. A defesa de Delgatti havia solicitado uma redução ainda maior, alegando leitura de livros durante o período de encarceramento, porém, como não houve comprovação adequada dessa atividade, o ministro deferiu apenas o pedido relacionado à aprovação no exame educacional.
"O g1 procurou a defesa de Walter Delgatti Neto e aguarda um retorno", informou a publicação original sobre o caso. A decisão judicial atende ao pedido formalizado pelos advogados do hacker, destacando o reconhecimento do esforço educacional mesmo em condições de privação de liberdade.
Trajetória carcerária e progressão de regime
Walter Delgatti chegou à Penitenciária 2 de Tremembé em fevereiro do ano passado. Em dezembro, ainda no regime fechado, foi transferido para a Penitenciária 2 de Potim, também situada no Vale do Paraíba. No início deste ano, o ministro Alexandre de Moraes autorizou a progressão para o regime semiaberto, o que permitiu seu retorno à unidade de Tremembé, onde cumpre a pena atualmente.
Contexto do crime e condenações anteriores
Delgatti foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal a 8 anos e 3 meses de prisão por invadir o sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e inserir documentos falsos, incluindo uma ordem de prisão contra o próprio ministro Alexandre de Moraes, supostamente "assinada" por ele mesmo. De acordo com a acusação da Procuradoria-Geral da República (PGR), a invasão ocorreu em janeiro de 2023 com o objetivo de minar a credibilidade do Judiciário e reforçar questionamentos sobre as eleições de 2022.
Além disso, a ex-deputada Carla Zambelli foi condenada a 10 anos de prisão e perda do mandato por ser considerada mentora do crime, tendo seu nome incluído na lista de difusão vermelha da Interpol. Antes dessa condenação, Delgatti já havia sido sentenciado em primeira instância a 20 anos de prisão por hackear autoridades públicas durante a antiga Operação Lava Jato, caso investigado na Operação Spoofing, no qual responde em liberdade devido a recursos pendentes na segunda instância da Justiça Federal em Brasília.
Com o fim dos recursos no STF, a prisão de Delgatti deixou de ser preventiva, passando a cumprir pena efetiva. A redução concedida agora representa um capítulo adicional na complexa trajetória judicial do hacker, marcada por crimes digitais de alto impacto e consequências políticas significativas.



