Polícia Civil investiga sumiço de mulher que mora no Norte da Ilha, em Florianópolis
O corpo da corretora de imóveis gaúcha Luciani Aparecida Estivalet Freitas, de 47 anos, foi encontrado esquartejado e desmembrado no interior de Major Gercino, em Santa Catarina, dois dias após a família registrar o desaparecimento dela. Três pessoas, um homem de 27 anos e duas mulheres, de 47 e 30 anos, foram presas sob suspeita de envolvimento no latrocínio, que é o roubo seguido de morte. Todos moravam no mesmo conjunto residencial que a vítima, um terreno com pequenos prédios de aproximadamente quatro apartamentos cada.
Quem era a corretora desaparecida em Florianópolis?
Luciani morava sozinha no bairro Santinho, no Norte da Ilha, mas mantinha contato frequente com a família do Rio Grande do Sul por telefone. Ela também atuava como administradora de imóveis na região. Natural de Alegrete, no Rio Grande do Sul, a profissional se identificava nas redes sociais como administradora de imóveis e turismóloga, vivendo em uma região turística de Florianópolis.
Quem são os suspeitos presos pela polícia?
Segundo a Polícia Civil, três indivíduos foram detidos como suspeitos do crime, todos residentes no mesmo conjunto habitacional no bairro Santinho. Ângela Maria Moro, de 47 anos, era a administradora do conjunto residencial. Matheus Vinícius Silveira Leite, de 27 anos, era vizinho de porta da vítima. Letícia Jardim, de 30 anos, é a namorada de Matheus. A mãe de Matheus foi ouvida como investigada, mas não responde por nenhum crime até o momento, assim como o irmão dele, um adolescente de 14 anos, que foi encontrado com produtos comprados no nome de Luciani.
Detenções e histórico criminal dos envolvidos
Os três suspeitos já estão presos. Ângela Maria Moro foi detida em Florianópolis na quinta-feira, dia 12, inicialmente pelo crime de receptação, após a polícia encontrar diversos objetos pertencentes à vítima em um dos apartamentos que ela administrava. Durante a audiência de custódia, o juiz citou indícios de homicídio e determinou a prisão temporária da suspeita por 30 dias. O casal Matheus e Letícia foi preso na sexta-feira, dia 13, em Gravataí, na Região Metropolitana de Porto Alegre, após terem fugido para o Rio Grande do Sul.
O homem de 27 anos estava foragido da Justiça de São Paulo por um latrocínio cometido em 2022 na cidade de Laranjal Paulista, onde o proprietário de uma padaria foi morto com um tiro na cabeça durante um assalto.
Como os criminosos esconderam os restos mortais da vítima?
Luciani foi brutalmente esquartejada, com seus restos mortais divididos em cinco pacotes diferentes. Eles foram transportados no carro da própria vítima até uma ponte na área rural de Major Gercino, uma cidade com aproximadamente 3,2 mil habitantes, e jogados em um córrego. Até a sexta-feira, dia 13, apenas o tronco da vítima havia sido localizado pelas autoridades.
Registro do desaparecimento e suspeitas da família
Luciani foi vista pela última vez em 4 de março, de acordo com seu irmão, Matheus Estivalet Freitas. O desaparecimento foi formalmente registrado na segunda-feira, dia 11. A família começou a desconfiar quando mensagens enviadas pelo celular da corretora apresentavam vários erros gramaticais, após um período sem qualquer contato com ela. Os familiares também estranharam quando Luciani não parabenizou a mãe pelo aniversário, ocorrido em 6 de março. A vítima mantinha contato diário com a família por mensagens e ligações, mesmo morando sozinha em Florianópolis.
Investigação policial e descobertas no apartamento
A polícia chegou aos suspeitos após identificar compras feitas utilizando o CPF da vítima. Os investigadores monitoraram os endereços de entrega dos produtos, todos localizados em Florianópolis, e abordaram um adolescente de 14 anos que buscava algumas encomendas. Ele afirmou que os produtos seriam destinados ao irmão. Com base nessa informação, os agentes foram ao conjunto residencial, onde encontraram Ângela Maria Moro, que se apresentou como responsável pelo local. Em um dos apartamentos, foram descobertas duas malas com pertences da corretora, além de itens comprados em seu nome, como dois arcos de balestra, um controle de videogame e uma televisão.
O carro da corretora, um modelo HB20, foi localizado nas proximidades da pousada e teria sido usado para transportar o corpo até o local de descarte, a mais de 100 quilômetros da capital. Um vídeo gravado pelo irmão no apartamento de Luciani, após o registro de desaparecimento, mostra muita bagunça, comida estragada e louça suja acumulada na pia da cozinha, indicando possíveis sinais de violência ou perturbação no local.
Motivação do crime e investigações em andamento
A polícia trata o caso como latrocínio, mas ainda apura como a decisão de matar a vítima ocorreu e qual foi o grau de participação de cada suspeito. As investigações continuam para esclarecer todos os detalhes desse crime chocante que abalou a comunidade de Florianópolis e chamou a atenção nacional.



