Condenado a 24 anos por homicídio: réu comprou arma dias antes e ameaçou vítima
Wolkmar dos Santos Júnior foi condenado a 24 anos e seis meses de prisão, em regime inicialmente fechado, por ser apontado como autor intelectual do assassinato de Rian Venâncio da Silva, um jovem de 18 anos. A decisão foi tomada após um longo julgamento de 13 horas, realizado com intensos debates entre acusação e defesa. Os jurados aceitaram as qualificadoras de motivo torpe e recurso que dificultou a defesa da vítima, reforçando a gravidade do crime.
Provas e contradições durante o processo
O promotor de Justiça Frederico Monteiro, do Ministério Público, sustentou que o conjunto de provas e depoimentos demonstrou claramente o envolvimento do réu no crime. Durante o julgamento, a defesa apresentou quatro advogados e Wolkmar negou qualquer participação no assassinato. No entanto, ao longo dos depoimentos, surgiram diversas contradições entre as versões apresentadas por testemunhas e suspeitos.
Em um dos interrogatórios, Jason afirmou que Eduardo, apontado como executor do crime, teria enterrado a arma utilizada no homicídio. Segundo ele, um homem conhecido como “Pezão” teria desenterrado a arma e guardado em casa. Ao ser ouvido, Pezão negou completamente essa versão. Diante das divergências, o promotor solicitou uma acareação entre os dois, procedimento em que os envolvidos prestam esclarecimentos frente a frente.
Acareação e tentativas de responsabilização
Durante a acareação, cada um tentou responsabilizar o outro pelas ações relacionadas ao crime. Para o Ministério Público, no entanto, todos tiveram participação no assassinato de Rian, descrito como um jovem de 18 anos morto de forma violenta e injusta. Em seu depoimento, Wolkmar Júnior apresentou uma versão diferente, afirmando que o crime teria sido articulado por seu padrinho, identificado como “Vavá”.
Segundo o réu, o padrinho teria interesse em incriminá-lo para evitar que ele concorresse com o filho a uma vaga de conselheiro tutelar. Ainda de acordo com Wolkmar, após o crime o padrinho teria ligado para sua mãe dizendo que o afilhado seria o mandante do assassinato. Para a acusação, no entanto, essa narrativa não se sustentou diante das evidências apresentadas.
Motivação por ciúmes e comportamento agressivo
Para o Ministério Público, o crime foi motivado por ciúmes. Segundo a acusação, Wolkmar não aceitava o fim do relacionamento com a ex-namorada nem o fato de ela ter iniciado um namoro com Rian. A ex-namorada da vítima e do réu afirmou, em depoimento, que Wolkmar era agressivo, possessivo e costumava persegui-la constantemente.
Sobre Rian, pessoas ouvidas durante o processo disseram que ele era “pessoa de bem, sem inimizades, um menino muito bom”, destacando o caráter injustificado da violência sofrida. Após a sentença, o promotor Frederico Monteiro comentou o resultado do julgamento, expressando alívio pela condenação.
Declaração do promotor e detalhes da sentença
“Encerramos mais um júri, por sinal, muito difícil, já tínhamos o executor sendo absolvido na comarca de Viçosa, mas graças a Deus nossa sustentação apontou um mosaico de informações e conseguimos convencer o conselho de sentença. Chegamos à condenação do senhor Wolkmar Santos mantendo as duas qualificadoras que foram por motivo torpe, recurso que impossibilitou a defesa da vítima, e podemos, dessa forma, aliviar a dor da família”, declarou o promotor Frederico Monteiro.
Na sentença, o juiz Geraldo Amorim destacou que o réu já havia ameaçado e perseguido a vítima antes do crime. Segundo o magistrado, também ficou comprovado que Wolkmar comprou a arma utilizada no homicídio dias antes, o que indica premeditação e planejamento meticuloso do ato violento. Esses elementos foram cruciais para a condenação e a imposição da pena severa.



