Condenação dos mandantes de Marielle não encerra caso; 14 pessoas já foram punidas
Caso Marielle: 14 condenados, mas processos ainda em andamento

Caso Marielle: condenação dos mandantes não encerra processos

A condenação dos irmãos Chiquinho Brazão e Domingos Brazão como mandantes do assassinato da vereadora Marielle Franco não representa o fim de todos os processos relacionados ao caso. Ainda existem ações penais em andamento para punir outros supostos envolvidos no homicídio e na ocultação das provas. Até o momento, 14 pessoas já foram condenadas em processos que envolvem o planejamento, a execução ou a obstrução da investigação do crime.

Detalhes da condenação dos mandantes

O Supremo Tribunal Federal (STF) julgou nesta quarta-feira (25) que os irmãos Brazão foram os mandantes do crime. Segundo os ministros da Primeira Turma, eles decidiram matar a vereadora para impedir que ela continuasse prejudicando os interesses da família em práticas de grilagem de terras. Ambos negam as acusações.

Os irmãos foram delatados por Ronnie Lessa, o ex-PM que confessou ter matado Marielle Franco e seu motorista Anderson Gomes. Lessa firmou um acordo de colaboração premiada com a Procuradoria-Geral da República (PGR) após o ex-PM Élcio de Queiroz, motorista do carro usado na emboscada, também firmar uma delação. Os dois foram condenados em 2024 pelo Tribunal do Júri do Rio de Janeiro a 78 e 59 anos de prisão, respectivamente, e recorrem para alterar as penas.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Outros envolvidos e obstrução da investigação

Lessa afirmou que foi procurado para cometer o crime pelo PM Edmilson Oliveira, conhecido como Macalé, que teria vínculo com os Brazão. Macalé foi morto em 2019 numa "queima de arquivo", segundo avaliação do ministro Alexandre de Moraes, relator do caso. O inquérito sobre seu homicídio ainda não foi concluído.

O STF também condenou o delegado Rivaldo Barbosa, chefe de Polícia Civil à época do crime, por interferir na investigação para que os reais executores e mandantes não fossem descobertos. Ele nega envolvimento. Além disso, o delegado Gininton Lages e o policial Marco Antonio de Barros Pinto, conhecido como "Marquinho DH", foram acusados pela PGR há duas semanas de participar do embaraço à apuração. O caso ainda não foi analisado pelo STF, e ambos negam as acusações.

Condenações por descarte de armas e obstrução

A delação de Élcio de Queiroz levou à condenação de Edilson Barbosa dos Santos, o "Orelha", apontado como responsável pela destruição do veículo usado na emboscada. Ele nega o crime e recorre da sentença. A Justiça fluminense já condenou ainda o ex-PM Rodrigo Jorge Ferreira, o Ferreirinha, e a advogada Camila Nogueira, sob acusação de prestar depoimento para atrapalhar a elucidação do caso. Eles negam o crime e recorrem da decisão.

Outras cinco pessoas foram condenadas por participar do descarte de armas de Ronnie Lessa no mar logo após o crime. A suspeita era de que a submetralhadora MP-5 utilizada na morte de Marielle e Anderson estivesse no arsenal. Lessa afirma que apenas o silenciador poderia estar no material e que a arma usada foi devolvida a Macalé. Foram condenados:

  • Elaine Lessa, mulher do ex-PM
  • Bruno Pereira Figueiredo, cunhado de Lessa
  • Maxwell Simões Correa, o "Suel", ex-bombeiro
  • José Mantovano
  • Josinaldo Lucas Freitas

Todos negam o crime. Suel também responde, com base na delação de Élcio de Queiroz, por participação no planejamento do homicídio. A Justiça já pronunciou o ex-bombeiro, levando o caso para o Tribunal do Júri, mas ele nega participação. Em sua delação, Lessa nega que Suel soubesse dos planos, mas afirma que o carro clonado usado na emboscada foi obtido com Maxwell.

O crime, segundo as apurações já concluídas, envolveu ao menos 17 pessoas, indicando que a rede de envolvidos é extensa e que as investigações ainda podem trazer novas revelações.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar