Biomédica Lorena Marcondes enfrenta acusação de homicídio doloso pela morte de paciente em clínica de Divinópolis
O Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) está atualmente analisando a denúncia formal apresentada contra a biomédica Lorena Marcondes, acusada de homicídio doloso qualificado pela morte de sua paciente Íris Martins. O caso, que ocorreu em maio de 2023, envolve uma parada cardiorrespiratória fatal durante um procedimento estético realizado na clínica da profissional, localizada no Centro de Divinópolis.
Acusações e andamento processual
A Polícia Civil de Minas Gerais indiciou formalmente Lorena Marcondes por homicídio doloso qualificado, alegando motivo torpe e traição com dolo eventual. Paralelamente, o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) apresentou denúncia por homicídio por dolo eventual acrescido de fraude processual. O processo agora aguarda decisão judicial sobre se há elementos suficientes para que a biomédica seja submetida a júri popular ou se o crime será reclassificado como homicídio culposo.
Conforme informações do advogado de defesa Fabiano Lopes, a audiência inicial não foi concluída devido à ausência de algumas testemunhas intimadas. Entre as que compareceram, nenhuma confirmou que Lorena realizava lipoaspiração no momento do incidente, mas sim um procedimento denominado lipolaser, que segundo a defesa é autorizado para profissionais da biomedicina. "Lorena ainda não foi ouvida nesta fase processual. Após o encerramento da instrução, o juiz estabelecerá prazo para alegações finais antes de decidir sobre a pronúncia para júri popular ou possível desclassificação", explicou o advogado.
Histórico de condenações e medidas cautelares
Além deste processo por homicídio, Lorena Marcondes já acumula duas condenações anteriores por erros graves em procedimentos estéticos:
- Em fevereiro de 2025, foi condenada por deformar permanentemente a boca de uma modelo durante procedimento de preenchimento labial.
- Em março de 2025, recebeu nova sentença por erro em harmonização facial, com determinação de indenização de R$ 565 mil ao paciente prejudicado.
Após a morte de Íris Martins, a clínica foi interditada pela Vigilância Sanitária e Lorena foi inicialmente presa preventivamente. Posteriormente, a prisão foi convertida em domiciliar e, em 2024, passou a utilizar tornozeleira eletrônica, medida já encerrada segundo seu advogado. Atualmente, a biomédica cumpre rigorosas medidas cautelares determinadas pela Justiça:
- Comparecimento mensal obrigatório para comunicação judicial.
- Proibição absoluta de ausentar-se da comarca de Divinópolis.
- Vedação total de contato com testemunhas do processo.
- Restrição de manter perfis pessoais ou profissionais em redes sociais.
Repercussão nacional e detalhes do caso
O nome de Lorena Marcondes ganhou notoriedade nacional após a trágica morte de Íris Martins, paciente de 46 anos que sofreu mal súbito durante procedimento estético em sua clínica. A vítima foi socorrida pelo SAMU, mas não resistiu às complicações da parada cardiorrespiratória.
Recentemente, no início deste mês, ocorreu audiência com o juiz Ivan Pacheco de Castro, da Primeira Vara Criminal de Divinópolis, com participação da acusada, Ministério Público, vítimas e testemunhas. O objetivo foi analisar as provas coletadas para definir a forma de julgamento mais adequada ao caso.
O desfecho deste processo poderá estabelecer precedentes importantes para a regulamentação de procedimentos estéticos realizados por biomédicos em todo o território nacional, especialmente considerando as múltiplas acusações contra a mesma profissional. A sociedade aguarda com atenção a decisão judicial que determinará os próximos passos deste caso que envolve ética profissional, responsabilidade civil e consequências penais graves.
