Governo Trump acusa delegado brasileiro de manipular imigração nos EUA
Trump acusa delegado brasileiro de manipular imigração nos EUA

Governo Trump acusa delegado brasileiro de manipular sistema de imigração americano

O governo do ex-presidente Donald Trump afirmou nesta segunda-feira (20) que um funcionário brasileiro teria atuado para manipular o sistema de imigração dos Estados Unidos "para contornar tanto pedidos formais de extradição quanto prolongar caças às bruxas políticas em território" americano. A declaração oficial foi divulgada através das redes sociais da Embaixada dos Estados Unidos no Brasil e representa uma acusação grave contra as autoridades brasileiras.

Identificação do funcionário e contexto do caso

O funcionário citado nas acusações seria o delegado da Polícia Federal Marcelo Ivo de Carvalho, que atua como adido da PF em Miami, conforme apuração da reportagem. Marcelo Ivo teve participação direta no caso que levou à prisão do ex-delegado federal e ex-deputado Alexandre Ramagem na semana passada pelo ICE, a agência de imigração dos Estados Unidos. Ramagem foi solto apenas dois dias após sua detenção, em um desfecho que gerou controvérsia entre as autoridades dos dois países.

Após a prisão do ex-parlamentar, a Polícia Federal brasileira inicialmente afirmou que teria havido uma ação conjunta entre Estados Unidos e Brasil. Contudo, documentos do Departamento de Segurança Interna americano revelaram que Ramagem estava com visto vencido e, portanto, poderia ser passível de deportação ao Brasil. Esta discrepância nas versões alimentou as suspeitas que culminaram nas acusações do governo Trump.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Reação de Ramagem e posicionamento das autoridades

Logo após sair da prisão, Alexandre Ramagem gravou um vídeo nas redes sociais onde agradeceu explicitamente à alta cúpula do governo Donald Trump por sua soltura. O ex-deputado afirmou que entrou "regularmente nos EUA, com passaporte válido, visto válido" e que, em seguida, entrou com pedido formal de asilo político. "Rebeca e eu estamos dentro de todos os procedimentos e todas as fases, o que nos confere estado de permanência regular nos EUA", declarou Ramagem, referindo-se à sua companheira.

Em resposta às acusações públicas, a Polícia Federal brasileira agora afirma que não foi notificada oficialmente sobre qualquer pedido para a saída do delegado Marcelo Ivo do território americano. A instituição mantém que a troca do adido já estava programada antes mesmo do episódio envolvendo Ramagem, conforme determinação do delegado-geral Andrei Rodrigues em março deste ano.

Detalhes sobre a atuação do delegado e cronologia dos fatos

Marcelo Ivo de Carvalho foi designado em março de 2023 para exercer a função de oficial de ligação junto ao ICE (Serviço de Imigração e Alfândega) em Miami, com um período inicial previsto de dois anos. Sua permanência foi posteriormente prorrogada até agosto de 2026 através de portaria publicada no Diário Oficial da União. Contudo, em 17 de março de 2026, a PF determinou sua substituição pela delegada Tatiana Torres.

Fontes policiais ouvidas pela reportagem revelam que, após o episódio envolvendo Alexandre Ramagem - aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro e condenado pelo Supremo Tribunal Federal por envolvimento na trama golpista de 2023 - o delegado Marcelo Ivo foi "convidado" a deixar os Estados Unidos. As mesmas fontes afirmam que a diplomacia americana tem prerrogativa para solicitar substituições desse tipo e que o retorno do delegado ao Brasil já estava previsto, mas foi acelerado devido aos acontecimentos relacionados a Ramagem e à pressão exercida pelo governo Trump.

Contexto legal e político do caso Ramagem

Alexandre Ramagem foi condenado à prisão no ano passado na mesma ação judicial que levou à condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro. O ex-deputado recebeu sentença de perda de mandato e 16 anos e um mês de prisão por participação em tentativa de golpe de Estado. Atualmente foragido, Ramagem viajou para os Estados Unidos de forma clandestina, conforme documentos oficiais.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar

Em suas declarações públicas após a soltura, Ramagem não apenas agradeceu ao governo Trump, mas também referiu-se à Polícia Federal brasileira como "polícia de jagunços", acirrando ainda mais as tensões entre as autoridades dos dois países. O caso expõe fragilidades na cooperação internacional em matéria de imigração e extradição, além de revelar como disputas políticas domésticas podem impactar relações diplomáticas.

O retorno do delegado Marcelo Ivo ao Brasil estava marcado para esta terça-feira (21), segundo informações confirmadas por fontes da Polícia Federal. O episódio deixa questões em aberto sobre os mecanismos de cooperação policial entre Brasil e Estados Unidos e sobre como casos políticos sensíveis são tratados no âmbito da imigração internacional.