Segunda morte por agentes federais em Minneapolis em duas semanas gera crise
Agentes federais de imigração dos Estados Unidos mataram a tiros mais um cidadão americano na cidade de Minneapolis, estado de Minnesota. Este trágico episódio marca a segunda morte causada por agentes federais na localidade em um intervalo de pouco mais de duas semanas, intensificando os protestos e a tensão política na região.
Vídeos mostram momento dos disparos e resistência da vítima
Vídeos amplamente divulgados na internet capturaram os momentos que antecederam e sucederam o tiroteio. Nas imagens, é possível observar agentes da polícia de imigração, com os rostos cobertos, tentando imobilizar um homem no chão. A vítima, identificada posteriormente como Alex Pretti, de 37 anos e residente de Minneapolis, parece resistir à ação enquanto os agentes seguram suas pernas e o agridem repetidamente.
Em uma sequência chocante, um dos agentes se aproxima pelas costas do homem e, ao se afastar, carrega na mão um objeto que se assemelha a uma arma de fogo. Simultaneamente, outro agente saca sua arma e dispara múltiplas vezes a queima-roupa. Testemunhas relatam ter ouvido pelo menos dez tiros em um curto espaço de aproximadamente cinco segundos. Após os disparos, o corpo fica estendido no chão, completamente imóvel.
"Foi um assassinato", declarou a testemunha que registrou parte do incidente em vídeo.Autoridades locais confirmam detalhes e pedem calma
O chefe da polícia de Minneapolis, Brian O’Hara, informou que por volta das 9 horas da manhã deste sábado, as autoridades foram alertadas sobre um tiroteio envolvendo agentes federais. Ao chegarem ao local, encontraram um homem com múltiplos ferimentos. A vítima foi rapidamente transportada para um hospital, onde foi declarada morta.
Brian O’Hara também fez um apelo público, reconhecendo a raiva e as inúmeras perguntas que cercam o caso, mas pedindo que a população mantenha a calma na região. A vítima, Alex Pretti, era um enfermeiro do departamento de veteranos militares, descrito por colegas como uma pessoa dedicada a ajudar os outros. Ele possuía permissão para portar arma e não tinha antecedentes criminais.
Versões conflitantes e reações políticas acaloradas
O Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos emitiu um comunicado nas redes sociais, apresentando a foto de uma arma que afirmou pertencer à vítima. No texto, a agência justificou a ação dos agentes, alegando que eles estavam conduzindo uma operação direcionada contra um imigrante ilegal procurado por agressão violenta quando Pretti se aproximou portando uma pistola semiautomática.
Segundo o comunicado, os agentes tentaram desarmar o suspeito, mas ele resistiu violentamente, o que levou um deles a disparar em legítima defesa, temendo por sua vida e a de seus colegas.Entretanto, as autoridades locais e estaduais contestam essa narrativa e expressam profunda indignação. O prefeito de Minneapolis, Jacob Frey, fez um veemente apelo pela retirada imediata das tropas federais das ruas da cidade.
"Quantos americanos mais precisam morrer para que essa operação termine?", questionou Frey, dirigindo-se diretamente ao presidente Donald Trump.O governador de Minnesota, Tim Walz, revelou que conversou duas vezes por telefone com a Casa Branca neste sábado, reforçando o pedido para que o governo federal removesse os agentes do estado. Em resposta, o presidente Donald Trump utilizou suas redes sociais para acusar tanto o prefeito quanto o governador de não protegerem os agentes de imigração, argumentando que, por isso, eles precisam se defender sozinhos. Trump também os acusou de incitar uma insurreição com o que chamou de retórica perigosa e arrogante.
Contexto de tensão e protestos crescentes
Este incidente ocorre em um contexto já marcado por grande tensão. No dia 7 de janeiro, a americana Renee Good, mãe de três filhos, foi morta por agentes federais em Minneapolis, desencadeando uma onda de protestos. Em 15 de janeiro, um imigrante venezuelano foi baleado na perna por um agente da polícia de imigração.
Na sexta-feira anterior ao mais recente tiroteio, dezenas de empresas no estado de Minnesota fecharam suas portas em protesto contra a presença do ICE (Immigration and Customs Enforcement) na região. Milhares de pessoas também foram às ruas de Minneapolis exigindo a retirada das forças federais. Neste sábado, os protestos se intensificaram novamente, tomando as ruas da cidade.
Em meio a esse cenário conturbado, o prefeito Jacob Frey confirmou a convocação da Guarda Nacional para auxiliar na proteção da cidade durante os protestos, ao mesmo tempo em que pediu que os manifestantes se mantivessem pacíficos. O tiroteio aconteceu em uma área ao sul de Minneapolis com significativa concentração de população somali, grupo que tem sido alvo de recentes ataques verbais do presidente Donald Trump.
Investigações enfrentam obstáculos e falta de transparência
O governador Tim Walz solicitou à Casa Branca que as autoridades estaduais liderassem as investigações sobre o caso. No entanto, a polícia estadual relatou que os agentes federais estão negando acesso ao local do tiroteio e se recusam a divulgar a identidade dos agentes envolvidos no incidente.
Esta postura contribui para aumentar a desconfiança e a sensação de impunidade entre a população e as lideranças locais. A falta de transparência e cooperação das agências federais se torna mais um ponto de atrito em uma situação já extremamente delicada.
Vale destacar que, nesta semana, durante uma entrevista na sala de imprensa da Casa Branca, o presidente Donald Trump reconheceu, pela primeira vez, que os agentes federais da polícia de imigração às vezes cometem erros. Essa declaração contrasta com sua posição anterior, na qual defendia que o agente responsável pela morte de Renee Good havia agido em legítima defesa.
Enquanto isso, o presidente segue sendo mantido informado sobre os desdobramentos da crise. Segundo fontes do governo, ele passou o dia em seu escritório, saindo do Salão Oval apenas no final da tarde, acompanhando de perto a situação que continua a se desenrolar em Minneapolis e a reverberar por todo o país.