Vazamento de nudes: crime cresce 180% e vítimas sofrem impactos psicológicos
Vazamento de nudes: crime cresce 180% no noroeste paulista

A divulgação de fotos e vídeos íntimos sem consentimento, crime previsto no Artigo 218-C do Código Penal, tornou-se cada vez mais frequente no noroeste paulista. Dados da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP) mostram aumento de 180% nos registros no primeiro trimestre de 2026 em comparação com 2024. Esse crescimento acende um alerta não apenas para a violência digital contra mulheres, mas também para os impactos emocionais e psicológicos sofridos pelas vítimas.

Números alarmantes

Em 2024, foram registrados 21 casos de exposição íntima na região ao longo do ano. Em 2025, o número dobrou para 42 boletins de ocorrência. A escalada se acentua quando se analisa apenas o primeiro trimestre: cinco casos em 2024, oito em 2025 e 14 em 2026. O aumento foi de 180% entre 2024 e 2026 e de 75% em relação a 2025.

Caso recente em Rio Preto

O tema ganhou repercussão em Rio Preto após a condenação do secretário municipal de Saúde licenciado, Rubem Bottas, a um ano e quatro meses de reclusão em regime aberto, além de indenização de um salário mínimo à vítima, sua ex-esposa. As imagens foram divulgadas durante o casamento, que durou 20 anos.

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O que diz a lei

O Artigo 218-C do Código Penal criminaliza oferecer, trocar, disponibilizar, transmitir, vender, expor à venda, distribuir, publicar ou divulgar, por qualquer meio, fotografia, vídeo ou outro registro audiovisual contendo cena de estupro, sexo, nudez ou pornografia sem consentimento da vítima. A pena varia de um a cinco anos de reclusão, podendo ser aumentada se o autor mantiver ou tiver mantido relação íntima com a vítima ou agir por vingança ou humilhação.

Como denunciar

A SSP orienta que as vítimas registrem boletim de ocorrência imediatamente, preservando prints, links, mensagens e e-mails. O registro pode ser feito em qualquer delegacia, inclusive nas Delegacias de Defesa da Mulher, pela Delegacia Eletrônica ou pelo telefone 180. A denúncia rápida ajuda na remoção do conteúdo e na responsabilização criminal.

Impactos psicológicos

A psicóloga e sexóloga Monica Soares, de Rio Preto, explica que a divulgação não autorizada provoca ruptura na sensação de segurança e dignidade. Os impactos incluem vergonha, medo, humilhação, isolamento, queda da autoestima e dificuldade de confiar. O trauma pode ser de longo prazo, com estado constante de alerta. “A vítima muitas vezes tem a sensação de que a exposição nunca acaba”, afirma.

Silêncio e culpa

O medo do julgamento leva muitas vítimas a hesitar em denunciar, especialmente quando o agressor é parceiro ou ex-companheiro. A psicóloga alerta que piadas, insultos e acusações nas redes sociais funcionam como nova violência. Os efeitos podem incluir ansiedade, depressão, síndrome do pânico, insônia e, em casos graves, ideação suicida.

Rede de apoio

Familiares e amigos devem acolher sem julgar, dizendo “Você não tem culpa” e “Estou aqui com você”. É fundamental evitar frases culpabilizantes, ajudar a guardar provas, denunciar publicações e incentivar acompanhamento psicológico profissional.

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