Operação desarticula rede de falsificação de documentos médicos em Goiás
Em uma ação coordenada, a Polícia Civil (PC) cumpriu mandados de prisão nesta terça-feira (24) em Goiânia e Aparecida de Goiânia, na Região Metropolitana da capital goiana. Sete suspeitos foram detidos por envolvimento na produção e venda de atestados e outros documentos médicos falsos, incluindo testes de gravidez e de DNA.
Grupo atuava há quatro anos com sites profissionais
Segundo informações da delegada Bárbara Buttini, da Delegacia Estadual de Repressão a Crimes Cibernéticos (DERCC), o grupo operava há aproximadamente quatro anos, utilizando sites com aparência profissional para comercializar os documentos falsificados. A documentação era entregue tanto de forma digital quanto física, com uma estrutura que simulava legitimidade.
A investigação revelou que os suspeitos ofereciam os documentos em plataformas digitais com tabelas de preços variáveis conforme a demanda. Os itens falsificados incluíam identificação de médicos, códigos CID, carimbos e assinaturas falsas, projetados para enganar autoridades e instituições.
Tabela de preços e documentos oferecidos
O grupo mantinha uma tabela fixa de valores, onde atestados médicos, por exemplo, eram vendidos por preços que variavam entre R$ 30 e R$ 150, dependendo do período de afastamento solicitado pelo comprador. Entre os documentos comercializados estavam:
- Atestados médicos para justificativa de faltas
- Exames laboratoriais falsos
- Exames de DNA
- Exames de gravidez, com opção de escolha do resultado
- Atestados relacionados ao aborto
- Atestado de aptidão física
- Atestado para saque do FGTS
- Documentos para dispensa militar
- Receitas médicas falsas
Impactos graves na saúde pública e relações familiares
A delegada Bárbara Buttini destacou a gravidade do caso, afirmando que a atuação do grupo ultrapassa a fraude comum, atingindo diretamente a fé pública e a saúde coletiva. Ela explicou que falsificações como exames de DNA podem ter consequências profundas, afetando vínculos familiares, direitos de filiação e decisões judiciais sensíveis.
Esta operação ocorre em um contexto onde a Prefeitura de Goiânia já identificou cerca de 100 casos comprovados de atestados falsos entregues por servidores, e o Ministério Público investiga má gestão de atestados após a prefeitura anunciar mais de 26 mil pedidos de afastamentos por licença-saúde.
A prisão dos sete suspeitos marca um avanço no combate a crimes cibernéticos na região, reforçando a necessidade de vigilância contra fraudes que comprometem a integridade de documentos essenciais para a sociedade.



