Meta enfrenta julgamento histórico nos EUA por acusações de colocar crianças em perigo
Meta é julgada nos EUA por acusações de perigo a crianças

Meta enfrenta julgamento histórico nos EUA por acusações de colocar crianças em perigo

Um júri do estado do Novo México, localizado no sudoeste dos Estados Unidos, deu início nesta terça-feira, 24 de outubro, às suas primeiras deliberações em um julgamento de grande repercussão. A empresa Meta, controladora do Facebook, Instagram e WhatsApp, é acusada formalmente de colocar crianças e adolescentes em situação de perigo ao torná-los vulneráveis a predadores sexuais em suas plataformas de redes sociais.

Estado do Novo México busca bilhões em indenizações

O estado do Novo México está reivindicando bilhões de dólares em compensações financeiras da Meta, em um dos dois principais casos judiciais atualmente em andamento nos Estados Unidos contra a gigante tecnológica que se encontram nas mãos de um júri popular. O outro processo significativo ocorre no estado da Califórnia, onde se avalia se a Meta e o YouTube devem ser considerados legalmente responsáveis por causar deliberadamente dependência em crianças através de seus algoritmos e designs.

Este caso específico no Novo México é amplamente visto como um teste crucial e um precedente importante para o futuro de centenas de outras ações judiciais semelhantes que estão em tramitação em todo o território norte-americano. O desfecho poderá influenciar diretamente a regulamentação e a responsabilização de plataformas digitais.

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Julgamento de seis semanas com vasta produção de provas

O júri do Novo México iniciou seus trabalhos de deliberação após os argumentos finais das partes e um extenso julgamento que durou seis semanas completas. O processo incluiu o depoimento detalhado de 40 testemunhas, entre as quais se encontram funcionários que se tornaram denunciantes internos, além da análise de centenas de documentos confidenciais, relatórios internos e trocas de e-mails corporativos.

O procurador-geral do Novo México, Raúl Torrez, apresentou formalmente a ação judicial contra a Meta e seu CEO, Mark Zuckerberg, ainda no ano de 2023. Torrez alega de maneira contundente que a empresa falhou gravemente em proteger as crianças dos perigos do abuso sexual online e do tráfico de pessoas facilitado por suas plataformas.

Acusações de comunicação enganosa e defesa da Meta

Durante sua argumentação final realizada na segunda-feira, 23 de outubro, a promotora Linda Singer acusou a Meta de ter praticado comunicação enganosa e omissão sobre a efetividade real de suas medidas de proteção de menores. "A Meta não revelou a probabilidade significativa de que seus algoritmos colocassem predadores em contato direto com adolescentes, nem que recomendassem conteúdos tão sensacionalistas e prejudiciais à saúde mental", declarou Singer, conforme registrado pelo Albuquerque Journal.

Em resposta, um porta-voz oficial da Meta emitiu uma declaração afirmando que o caso apresentado pelo Estado era "sensacionalista" e construído com base em documentos "selecionados a dedo" fora de contexto. "O Estado simplesmente não conseguiu provar seu caso com evidências sólidas e abrangentes", argumentou o representante da empresa.

Valores astronômicos e próximas etapas do processo

O Estado do Novo México solicita a aplicação da sanção civil máxima permitida, de US$ 5 mil (equivalente a aproximadamente R$ 26,3 mil), para cada um dos cerca de 221 mil adolescentes residentes no estado que, segundo as alegações, utilizam ativamente o Facebook e o Instagram. A Meta contesta veementemente tanto a metodologia de cálculo quanto o valor total reivindicado.

Uma segunda fase importante deste processo judicial no Novo México já está calendarizada para o mês de maio. Nessa etapa, um juiz irá ouvir e avaliar a alegação específica do Estado de que a Meta criou um incômodo público de grande magnitude e, portanto, deve ser obrigada a financiar programas estatais e comunitários destinados a lidar com os supostos danos psicológicos e sociais causados às crianças.

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Este julgamento histórico contra a Meta e outras gigantes como o Google estabelecerá parâmetros legais que poderão, no futuro, impactar diretamente as discussões sobre regulamentação, responsabilidade corporativa e proteção de menores no ambiente digital também no Brasil, influenciando legislações e práticas de segurança online.