Receita Federal alerta sobre golpe no WhatsApp com falsas pendências no CPF
Golpe no WhatsApp usa nome da Receita Federal para roubar dados

Receita Federal alerta sobre golpe no WhatsApp com falsas pendências no CPF

Circulam no WhatsApp mensagens fraudulentas enviadas em nome da Receita Federal, contendo alertas sobre supostas pendências no Cadastro de Pessoa Física (CPF) e um link para "regularização". É #FAKE. O conteúdo começou a ser enviado aos leitores do Fato ou Fake nos dias anteriores ao início do prazo para entrega da declaração do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF) 2026, que começou em 23 de março.

Como funciona o golpe?

Para convencer as vítimas de que o conteúdo é legítimo, o texto inicia com a frase: "As informações foram verificadas e estão corretas". Em seguida, cita o nome do destinatário e menciona: "ÚLTIMO AVISO DA RECEITA FEDERAL – IRPF 2025/2026". O material fraudulento completo afirma:

"Consta em nosso sistema a identificação de uma pendência registrada vinculada ao documento nº [CPF], que pode impactar a regularidade do seu nome. PENDÊNCIA GRAVE EM ABERTO. Isso impede: Enviar e receber PIX, acesso a contas, cartões e investimentos em qualquer banco; operações financeiras normais; nome em cadastros restritivos (Serasa, SPC, Bacen). Recomendamos que a consulta seja realizada imediatamente por meio do link abaixo: https://regularizetributos. Para evitar inconsistências futuras e possíveis restrições operacionais, é importante verificar a situação o quanto antes. Se o link não estiver azul, envie apenas um 'Oi', saia da conversa e entre novamente. Cadastro concluído no sistema".

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O conteúdo apresenta diversos sinais de golpe, incluindo tom de urgência e ameaça, com expressões como "ÚLTIMO AVISO" e "PENDÊNCIA GRAVE". As consequências são exageradas, mencionando bloqueio de PIX e contas, enquanto há generalização e falta de detalhes oficiais, como número de processo. O link fornecido é suspeito, não sendo um domínio oficial do governo, como gov.br, e há pedido de ação imediata por canal informal, além do uso indevido de autoridade, citando órgãos oficiais.

Etapas do golpe

Ao clicar no link, o usuário é direcionado a uma página que imita a plataforma gov.br e solicita a digitação do número do CPF. Na tela seguinte, aparece um aviso sobre uma "dívida" de R$ 684,55, com a ameaça de multa de R$ 2.120, bloqueio bancário e restrição de crédito em caso de não pagamento. Por fim, há um botão de "regularize agora", que leva a um chat com uma suposta "auditora da Receita Fiscal". Ela repete as mesmas ameaças e afirma que "não haverá nova oportunidade" para regularizar o débito, induzindo a vítima a fazer um PIX sem informações sobre o destinatário final do dinheiro.

Por que a mensagem é falsa?

O Fato ou Fake entrou em contato com a assessoria de imprensa da Receita Federal, que respondeu, por e-mail: "Trata-se de um golpe. O portal correto é da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN), que já emitiu alerta para tentativas de comunicação falsa. A Receita Federal reforça que não solicita pagamentos por telefone, WhatsApp, e-mail ou mensagens. Todos os documentos de arrecadação (DARF e DAS) devem ser gerados exclusivamente pelos meios oficiais, disponíveis no site: www.gov.br/receitafederal".

Em 2 de dezembro de 2025, o site oficial do órgão publicou um comunicado intitulado: "Recebeu mensagem da PGFN? Cuidado, pode ser golpe!". O texto reforça que a página regularize.pgfn.gov.br é o único meio oficial pelo qual os contribuintes que tenham débitos em aberto com a União podem quitar suas pendências: "A PGFN não entra em contato pelo WhatsApp, somente por SMS, com o remetente 29347. Além disso, o acesso de pessoas físicas ao portal Regularize é feito somente por meio do login e da senha da plataforma oficial gov.br, o que confere mais segurança ao processo. A Procuradoria também não solicita o CPF do contribuinte como forma de acesso ao portal".

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A nota também menciona uma checagem anterior feita pelo Fato ou Fake, de 29 de novembro de 2025, com o título: É #FAKE mensagem de WhatsApp que cobra pagamento de 'Dívida Ativa com a União'; trata-se de golpe. Na ocasião, Eduardo Sadalla Bucci, coordenador de Dívida Pública da União e do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), explicou: "Em nenhuma hipótese, de nenhum tipo de cobrança, há a possibilidade de cancelamento do seu PIX. Igualmente, nenhum tipo de constrição que não seja autorizada pelo Poder Judiciário vai ser feita. Você não vai perder qualquer tipo de bem, a não ser por uma decisão judicial, em que você será citado, terá oportunidade de ter um advogado e todas as tramitações do devido processo legal".

Em fevereiro deste ano, o Fato ou Fake fez uma verificação semelhante: É #FAKE mensagem de WhatsApp sobre regularização de 'pendência grave' na Receita Federal; trata-se de golpe.

Indícios de golpe

Ao longo do texto, há diversos sinais de linguagem típicos de golpes:

  • Tom de urgência e ameaça – Expressões como “ÚLTIMO AVISO” e “PENDÊNCIA GRAVE” são usadas para causar medo e pressionar a pessoa a agir rapidamente, sem pensar.
  • Consequências exageradas – Bloqueio de PIX, contas, cartões e “nome irregular” são apresentados de forma alarmista e pouco precisa.
  • Generalização e falta de detalhes oficiais – Ausência de informações específicas confiáveis (como número de processo, canal oficial ou instruções verificáveis), substituídas por menções genéricas a uma "pendência".
  • Link suspeito – O endereço fornecido não é um domínio oficial do governo (como “.gov.br”).
  • Pedido de ação imediata por canal informal – Orientações como "clicar no link" ou responder "Oi", que fogem totalmente dos procedimentos formais da Receita Federal.
  • Uso indevido de autoridade – Tentativa de se legitimar citando órgãos como SERASA, SPC e Banco Central, mas sem contexto real — um recurso comum para parecer confiável.
  • Contato via WhatsApp – Órgãos oficiais não utilizam mensagens diretas por aplicativos para cobrar regularizações dessa forma.

É fundamental que os cidadãos estejam atentos a esses sinais e sempre verifiquem informações através dos canais oficiais da Receita Federal e da PGFN para evitar cair em golpes digitais.