Golpe do falso gerente de banco engana clientes do Bradesco em SP com prejuízos acima de R$ 80 mil
Golpe do falso gerente de banco causa prejuízos acima de R$ 80 mil em SP

Golpe do falso gerente de banco engana clientes do Bradesco em São Paulo com prejuízos superiores a R$ 80 mil

Criminosos têm aplicado um novo tipo de golpe financeiro em São Paulo, onde se passam por gerentes ou funcionários de bancos para enganar clientes e desviar recursos de contas empresariais. Pelo menos três vítimas, todas clientes do banco Bradesco, registraram prejuízos que, somados, ultrapassam a marca de R$ 80 mil na capital paulista e na região metropolitana.

Modus operandi sofisticado e contato inicial por WhatsApp

Nos casos investigados, o contato dos golpistas começa através de mensagens no WhatsApp ou ligações telefônicas, utilizando uma linguagem profissional e informações sigilosas que aumentam significativamente a credibilidade, como o saldo bancário das vítimas. Em seguida, os criminosos orientam os clientes a acessar links específicos, escanear QR Codes ou inserir códigos dentro do aplicativo oficial do banco – ações que permitem a realização de transferências não autorizadas e a contratação fraudulenta de crédito.

Os três episódios relatados foram registrados em boletins de ocorrência como estelionato na capital paulista, especificamente nos bairros de Vila Buarque e Jardins, e também no município de Guarulhos. A Secretaria da Segurança Pública (SSP) emitiu nota orientando que, em situações como estas, as vítimas precisam fazer uma representação formal após abrirem o B.O. para dar continuidade adequada às investigações policiais.

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Vítimas relatam perdas significativas e dificuldades com o banco

Maria Claudia Castelo Branco, escritora e jornalista de 40 anos residente na Vila Buarque, no Centro da capital, afirma ter perdido R$ 20,5 mil após ser orientada por supostos funcionários do banco a configurar o aplicativo da instituição. "Roubaram o dinheiro do livro que passei anos escrevendo", lamentou a profissional. "Quero meu dinheiro e quero alertar todo mundo. Não tem que ter vergonha, temos que ir atrás do nosso direito."

Segundo seu relato, o contato começou com mensagens de um homem que se apresentou como o novo gerente da conta. Sem desconfiar, a escritora pediu ajuda para configurar o aplicativo após trocar de celular. O suposto gerente afirmou resolver o problema remotamente e a direcionou para um "assistente", que conduziu uma ligação de aproximadamente 40 minutos pedindo que ela acessasse um site e escaneasse um QR Code apresentado como etapa de segurança.

Horas depois, a vítima percebeu duas transferências via PIX – uma de R$ 7 mil e outra de R$ 13,5 mil – enviadas para uma empresa identificada como "TODO CARTÕES LTDA". Parte do dinheiro chegou a ser rastreada e está em processo de disputa com o banco, mas até o momento nenhum valor havia sido recuperado.

Outros casos com prejuízos elevados em Guarulhos

Ana Maria Ferreira Soares, empresária de 62 anos de Guarulhos, teve a conta jurídica do Bradesco usada por criminosos após contato com um falso funcionário. O golpista alegou necessidade de atualização cadastral e enviou um link com aparência idêntica à página oficial do banco. Após uma primeira abordagem sem movimentações, ele voltou semanas depois pedindo que a vítima digitasse códigos e escaneasse QR Codes, resultando em resgates de valores e contratação de empréstimo não autorizado.

O prejuízo total foi de aproximadamente R$ 18 mil, sendo parte referente a um empréstimo feito sem autorização da cliente. O caso foi registrado no 2º DP de Guarulhos como estelionato em 23 de janeiro deste ano. Segundo a família, o banco negou o ressarcimento sob a justificativa de que a cliente forneceu informações aos criminosos, e a vítima agora busca recuperar os valores através de ação judicial com auxílio de advogado.

Psicóloga tem prejuízo superior a R$ 50 mil com golpe similar

Deborah Carceles, psicóloga de 67 anos, afirma ter tido prejuízo superior a R$ 50 mil após golpe no final de março. O criminoso se apresentou como gerente da conta e, dias depois, insistiu na realização de atualização cadastral, enviando inclusive uma suposta comunicação da Febraban (Federação Brasileira de Bancos).

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Desconfiada, a vítima tentou resolver a situação pelos canais oficiais, mas enfrentou falhas no aplicativo e dificuldade de contato com a agência. "Eu tentei fazer pelo aplicativo, mas não concluía. Também liguei várias vezes e ninguém atendia", relatou. Acabou seguindo as orientações do suposto funcionário, resultando em empréstimos do tipo capital de giro e três transferências via PIX totalizando mais de R$ 50 mil, mesmo sem histórico desse tipo de operação em sua conta.

O Bradesco informou à psicóloga que "a transação contestada foi autorizada mediante o uso de credenciais válidas", tentou recuperar o dinheiro sem sucesso, e vai monitorar a conta favorecida por 90 dias. A vítima já ingressou com ação judicial contra o banco.

Especialista orienta sobre prevenção e medidas pós-golpe

Marcelo Frullani, advogado especializado em Direito e Tecnologia da Informação, explica que os golpes têm se tornado cada vez mais sofisticados: "Hoje em dia, os criminosos criam fraudes cada vez mais elaboradas e conseguem convencer as pessoas de que são funcionários do banco. Já vi casos em que foi utilizado inclusive um telefone que realmente pertencia à instituição financeira".

Segundo o especialista, as principais medidas de prevenção incluem:

  • Desconfiar de contatos recebidos por telefone ou aplicativos de mensagens
  • Jamais confiar em mensagens de WhatsApp ou ligações de pessoas que se dizem gerentes do banco
  • Sempre entrar em contato com os canais oficiais da instituição antes de tomar qualquer providência
  • Desconfiar de links e páginas falsas que simulam ambientes oficiais dos bancos
  • Nunca escanear QR Codes sem confirmação da autenticidade

Frullani orienta que, em caso de golpe, a vítima deve:

  1. Registrar imediatamente um boletim de ocorrência
  2. Comunicar o banco para tentar reduzir os prejuízos
  3. Em caso de negativa de ressarcimento, recorrer à Justiça
  4. Solicitar judicialmente registros de acesso, como endereços de IP

O advogado ressalta que "a responsabilidade dos bancos é objetiva. Isso significa que independe de culpa. Para se eximir, a instituição precisa provar que houve culpa exclusiva da vítima". Transações fora do padrão do cliente também podem indicar vulnerabilidades no sistema de segurança bancário.

Posicionamento do Bradesco sobre os casos

Em nota oficial, o Bradesco afirmou que não comenta casos que envolvam clientes em razão do sigilo bancário e que, de forma geral, os golpes envolvendo falso funcionário e falsa central de atendimento têm crescido. "O Banco mantém comunicação ativa com seus clientes, por meio de campanhas e alertas nos canais digitais com orientações de prevenção. O Bradesco reforça que não realiza ligações solicitando senhas, chaves de segurança, instalação de aplicativos, acesso remoto ao aparelho ou autorização de transações, e disponibiliza orientações de segurança em seus canais oficiais", declarou a instituição.