Pai de adolescente investigado pela morte de Orelha defende justiça e exige provas no caso que comoveu o Brasil
Um caso que mobilizou o país e gerou comoção nacional continua em investigação. Orelha, um cão comunitário cuidado por moradores da Praia Brava, em Florianópolis, foi encontrado agonizando no início de janeiro e não resistiu aos ferimentos graves. As investigações apontam que o animal foi vítima de agressão violenta, e a polícia apura o envolvimento de quatro adolescentes no triste episódio.
Retorno dos suspeitos e apreensão de provas digitais
Na quinta-feira, 29 de fevereiro, dois dos quatro adolescentes apontados como suspeitos na morte de Orelha retornaram dos Estados Unidos. De acordo com informações das famílias e da polícia, eles estavam em uma viagem pré-programada com a turma da escola, um compromisso que já estava agendado antes do incidente.
Ainda no aeroporto, os investigadores cumpriram mandados de busca e apreensão, confiscando os telefones celulares dos jovens. "Os celulares estão apreendidos, eles estão em posse da Polícia Científica, que está realizando a extração de todas as informações dos quatro aparelhos para ver se é encontrado mais algum elemento de informação", explicou Renan Balbino, delegado de Adolescentes em Conflito com a Lei.
Posição das famílias e exigência de provas concretas
O Fantástico conversou exclusivamente com o pai de um dos adolescentes investigados pela polícia. O homem, que preferiu não se identificar, foi enfático ao defender seu filho, mas também ao reconhecer a necessidade de justiça: "A educação que eu e minha esposa damos para ele não foi de passar a mão na cabeça dele. Se ele fez alguma coisa e ficar provado, ele tem que responder. Mas tem que ser provado, porque até agora só foram acusações, acusações, acusações e não tem nada, não apresentaram absolutamente nada. A gente quer justiça tanto quanto as outras pessoas".
O advogado Rodrigo Duarte da Silva, que representa duas das famílias envolvidas, também se manifestou sobre o caso: "Nós esperamos que os depoimentos sejam colhidos o quanto antes, que a verdade venha à tona e, a partir daí, todos os adolescentes que não têm culpa alguma no caso sejam publicamente inocentados e, se eventualmente algum deles tiver alguma parcela de contribuição com qualquer maus-tratos ou com qualquer pequeno delito de quiosque ou de caminhar nas ruas e etc., que eles sejam, sim, responsabilizados, mas na medida da sua culpabilidade, por óbvio".
Desafios investigativos e busca por evidências
A investigação policial tem enfrentado desafios significativos na busca por informações sobre os agressores do cão Orelha. Até o momento, a polícia já ouviu mais de 20 testemunhas e analisa aproximadamente mil horas de imagens, registradas por câmeras de segurança instaladas na Praia Brava.
Em entrevista ao Fantástico, os delegados responsáveis pelo caso revelaram que ainda não encontraram imagens conclusivas. Quando questionado sobre registros do cão com adolescentes, um delegado respondeu: "Até onde eu sei, deles com Orelha não, até porque se tivesse também facilitaria para a gente".
Sobre o momento exato da agressão, uma delegada foi categórica: "Não há imagem do momento exato da agressão, não. Do momento da agressão, não. O momento exato da agressão nós não temos. Nós temos um fecho de indícios convergentes que levaram aí essa suspeita de envolvimento de adolescentes".
Ela completou explicando a complexidade do trabalho investigativo: "Esse é o nosso desafio investigativo: nós juntarmos ali as peças do quebra-cabeça para a gente conseguir esclarecer o que aconteceu".
Proteção legal dos adolescentes e sigilo das identidades
Muitas pessoas têm questionado por que as identidades dos suspeitos não foram divulgadas pela polícia. A explicação está na legislação brasileira: como se trata de menores de 18 anos, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) proíbe expressamente a divulgação de imagens ou informações de jovens que estejam ou que possam estar envolvidos em atos infracionais.
Essa proteção legal busca preservar os direitos dos adolescentes durante o processo investigativo e judicial, garantindo que possam ter um futuro sem o estigma de uma acusação que ainda não foi provada em juízo.
O caso de Orelha continua a mobilizar a comunidade da Praia Brava e simpatizantes de causas animais em todo o país, enquanto a polícia trabalha para reunir evidências suficientes que possam levar ao esclarecimento completo dos fatos e à aplicação da justiça, seja para inocentar os acusados ou para responsabilizar os culpados.