Falso veterinário recebe pena superior a 14 anos por crimes graves em Uberaba
Diego Morelli Silva Nunes, de 37 anos, foi condenado a mais de 14 anos de prisão por atuar ilegalmente como médico veterinário em Uberaba, no Triângulo Mineiro. A sentença, divulgada na segunda-feira (6), inclui penas por maus-tratos a animais com resultado de morte, fraudes, falsidade ideológica e outros delitos. A Justiça determinou que ele não poderá recorrer em liberdade, reforçando a gravidade dos crimes.
Detalhes da condenação e reação da defesa
De acordo com a decisão judicial, Diego foi condenado a 11 anos e 9 meses de reclusão, 3 anos, 6 meses e 25 dias de detenção, além de 4 meses de prisão simples e pagamento de multa. A reclusão se aplica aos crimes mais graves, podendo iniciar em regime fechado, enquanto a detenção é para infrações de menor gravidade, geralmente cumprida em regime semiaberto ou aberto. Em nota, o advogado de Diego, Guilherme Almeida Cunha, afirmou que o réu foi absolvido em relação a alguns crimes e que a defesa irá interpor recurso de apelação para buscar a reversão das condenações mantidas.
Investigação e casos de maus-tratos
A Polícia Civil revelou que Diego se apresentava como profissional habilitado, mas cursava apenas o 5º período de Medicina Veterinária. A investigação começou após a morte de Lola, uma cadela da raça Pug atendida por ele. Os tutores do animal, Sofia Soares Vilas Boas e Douglas Bernardino Parra Chiorato, ao descobrirem que ele não tinha registro profissional, cobraram explicações e, desde então, foram alvo de ameaças para intimidar as investigações. Sofia relatou que o marido foi diagnosticado com estresse pós-traumático devido às constantes intimidações.
Além do exercício ilegal da profissão, Diego comercializava de forma irregular um plano de saúde para pets e constrangia pessoas ligadas à investigação. Em uma dessas ações, ele divulgou vídeos mostrando o ex-sócio da clínica em situações de maus-tratos a animais, o que levou a novas investigações. O delegado Elinton Feitoza destacou que Diego usava essas imagens para chantagear o ex-companheiro.
Prisão preventiva e impactos nas vítimas
No dia 14 de novembro, a Polícia Civil cumpriu mandado judicial e prendeu Diego após pedido das promotorias do Meio Ambiente e do Direito do Consumidor do Ministério Público de Minas Gerais. Ele foi levado para a Penitenciária Professor Aluízio Ignácio de Oliveira, onde permanece preso. A Justiça também concedeu liminar proibindo Diego de ameaçar ou manter contato com os tutores de Lola, sob pena de multa, e uma ação de indenização por dano moral segue em andamento.
Sentença e penalidades adicionais
Na sentença, Diego foi condenado por dois crimes de maus-tratos a animais com resultado morte, envolvendo Lola e o cão Léo, além de três crimes de maus-tratos relacionados a outros animais. Também houve condenações por crime contra as relações de consumo, exercício ilegal da profissão, falsidade ideológica, uso de documento falso, ameaça, perseguição (stalking) e desobediência a decisão judicial. Em um caso, o juiz reconheceu a prática de estelionato. A sentença apontou que os crimes foram cometidos de forma contínua, causando sofrimento aos animais e impacto emocional e financeiro nas vítimas.
Além da pena de prisão, Diego foi condenado a pagar indenização de R$ 5 mil para cada uma das oito vítimas descritas no processo. O juiz Marco Antônio Macedo Ferreira considerou que ele não preenche os requisitos para substituição da pena por medidas alternativas, enfatizando a necessidade de cumprimento em regime privativo de liberdade.



