Os Estados Unidos iniciaram uma operação para guiar navios comerciais presos no Estreito de Ormuz, após o Irã bloquear a via navegável crucial. O presidente Donald Trump anunciou o 'Projeto Liberdade', que visa liberar embarcações de dezenas de países que ficaram retidas devido ao fechamento do estreito, por onde passa 20% do petróleo e gás natural liquefeito do mundo. A ação ocorre em meio a tensões renovadas, com os EUA afirmando ter afundado seis pequenas embarcações iranianas que atacavam navios civis, enquanto o Irã nega e ameaça retaliar.
O que Trump disse?
Em publicação no Truth Social, Trump afirmou que os EUA receberam solicitações de países 'de todo o mundo' para ajudar a liberar seus navios, que estavam 'presos no estreito de Ormuz' e eram 'meros espectadores neutros e inocentes'. Ele disse que os EUA 'guiariam seus navios com segurança para fora dessas vias navegáveis restritas', classificando a ação como um 'gesto humanitário' em nome dos EUA, dos países do Oriente Médio e, em particular, do Irã, já que muitas tripulações estavam com suprimentos escassos.
Qual a resposta do Irã?
O Irã rejeitou a operação, afirmando ter controle total do estreito e ameaçando atacar 'qualquer força armada estrangeira' que tentasse se aproximar. O major-general Ali Abdollahi disse que a passagem segura deve ser coordenada com o Irã. O ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, declarou que 'não há solução militar para uma crise política' e chamou o Projeto Liberdade de 'Projeto Impasse'.
Como as forças dos EUA estão implementando o plano?
O Comando Central dos EUA (Centcom) informou que está utilizando destróieres de mísseis guiados, mais de 100 aeronaves, plataformas não tripuladas e 15 mil militares para apoiar a operação. O comandante Brad Cooper disse que embarcações de 87 países estavam encalhadas e que os EUA contataram dezenas de navios para incentivar o tráfego. A operação pode incluir cobertura aérea e defesa contra mísseis e drones, em vez de escolta física, segundo o ex-secretário adjunto de defesa Mick Mulroy. No entanto, ele alertou que o sucesso depende da confiança de navios e seguradoras.
Há embarcações passando pelo estreito?
Na segunda-feira, o Centcom informou que dois navios mercantes com bandeira dos EUA transitaram com sucesso pelo estreito. A Maersk confirmou que um de seus navios saiu do Golfo acompanhado por militares dos EUA. No entanto, a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã negou que qualquer navio tenha passado.
O Irã está disparando contra navios dos EUA?
O Irã afirmou ter disparado contra 'destruidores inimigos americanos e sionistas', mas o Centcom negou que um navio de guerra tenha sido atingido. Segundo os EUA, o Irã lançou mísseis de cruzeiro, drones e pequenas embarcações contra navios americanos e comerciais. Os Emirados Árabes Unidos relataram que um petroleiro foi alvo de dois drones, sem feridos. O Centcom disse que helicópteros americanos afundaram seis pequenas embarcações iranianas que atacavam navios civis, mas o Irã nega.
A guerra com o Irã vai recomeçar?
Especialistas consideram a operação arriscada e escalatória. Grant Rumley, ex-conselheiro das administrações Biden e Trump, disse que garantir a passagem de todos os navios seria 'muito difícil' e que a retomada das hostilidades é 'uma questão de quando'. Nitya Labh, pesquisadora da Chatham House, afirmou que os EUA aceitaram que a única maneira de mover navios é sob ameaça de força, e que o Projeto Liberdade pode ser apenas um 'alívio temporário'.



