Cão comunitário Orelha é torturado e morto por adolescentes em Florianópolis
O cão comunitário Orelha, uma figura querida na Praia Brava, uma das áreas mais nobres de Florianópolis, foi vítima de uma agressão brutal que resultou em sua morte. Segundo a Polícia Civil, o animal foi atingido na cabeça com um objeto contundente, sem ponta ou lâmina, causando ferimentos tão graves que levaram à necessidade de eutanásia. O caso, que chocou moradores e internautas, envolve a identificação de quatro adolescentes como suspeitos da agressão e a indicação de três adultos por coação a uma testemunha.
Investigação revela detalhes do crime e coação
Embora não existam imagens do momento exato do espancamento, que ocorreu em 4 de janeiro, a delegada Mardjoli Valcareggi explicou que outros episódios registrados na mesma região e período, somados a depoimentos de testemunhas, foram cruciais para identificar os suspeitos. A investigação se concentra em duas frentes: um auto de apuração de ato infracional, aberto pela Delegacia de Atendimento ao Adolescente em Conflito com a Lei da Capital (DEACLE), e um inquérito policial, conduzido pela Delegacia de Proteção Animal da Capital (DPA), para apurar a coação realizada por familiares dos adolescentes.
Os nomes e idades dos adolescentes não foram divulgados, em conformidade com o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que prevê sigilo absoluto para menores de 18 anos. Dois dos quatro suspeitos estão em Florianópolis e foram alvos de uma operação policial, enquanto os outros dois estão nos Estados Unidos em uma viagem pré-programada.
Adultos indiciados por coação a testemunha
A Polícia Civil indiciou três adultos suspeitos de coagir ao menos uma testemunha na investigação sobre a morte do cão Orelha. Os investigados são pais e um tio dos adolescentes, sendo dois empresários e um advogado. O crime de coação envolve ameaçar ou agredir partes de um processo judicial, como testemunhas, para interferir no resultado. A corporação informou que o crime foi cometido contra o vigilante de um condomínio que possuía uma foto que poderia colaborar com a investigação.
Apesar de não terem acesso a esse registro específico, a polícia analisa mais de mil horas de imagens de câmeras de segurança. A Justiça não autorizou a apreensão dos aparelhos eletrônicos dos adultos, mas o inquérito que apura a coação já ouviu 22 pessoas.
Morte de Orelha e tentativa contra outro cão
Orelha foi encontrado por populares machucado e agonizando em 4 de janeiro, mas o caso só chegou à Polícia Civil no dia 16 deste mês. Após ser recolhido e levado a uma clínica veterinária, ele precisou passar por eutanásia no dia 5 de janeiro devido à gravidade dos ferimentos. Exames periciais confirmaram que o animal foi atingido na cabeça com um objeto contundente, embora o instrumento usado na agressão não tenha sido encontrado.
Além disso, a Polícia Civil relatou que o grupo de adolescentes também teria tentado afogar outro cachorro comunitário, o Caramelo, na mesma praia. Há imagens dos adolescentes pegando o animal no colo, e testemunhas relataram vê-los jogando o cão no mar, evidenciando um padrão de comportamento violento.
Orelha: um mascote amado da comunidade
A Praia Brava conta com três casinhas destinadas aos cães que se tornaram mascotes da região, e Orelha era um deles. Mário Rogério Prestes, um aposentado que acompanhava de perto os animais, compartilhou sua tristeza: “Muita gente vinha trazer comida para eles, mas eu era o responsável por alimentá-los todos os dias. Eles não podiam ficar sem comida e sem cuidado”. A morte de Orelha gerou uma onda de protestos e homenagens nas redes sociais, com moradores e internautas expressando indignação e solidariedade.
O caso continua sob investigação, com a polícia trabalhando para reunir provas e garantir que a justiça seja feita, destacando a importância da proteção animal e do combate à violência em comunidades locais.