Pug morre por hipertermia em hotel pet em Santos após tutor ser tranquilizado sobre calor
Cão braquicefálico morre em hotel pet de Santos por hipertermia

Um cão da raça Pug, chamado Bucky, morreu na última segunda-feira (12) após sofrer um quadro grave de hipertermia em um hotel para animais em Santos, no litoral de São Paulo. A tutora, Rosana Gemignani Cardoso, de 55 anos, afirma que o animal estava saudável quando foi deixado no estabelecimento, mas que as condições de calor no local levaram ao aumento crítico de sua temperatura corporal.

Adaptação e promessas de segurança

Rosana, engenheira eletricista, contou que Bucky era o cão de suporte emocional de sua filha, que tem Transtorno do Espectro Autista (TEA). O Pug foi adotado pela família em abril de 2019, quando tinha apenas três meses de vida. Preocupada com o bem-estar do animal braquicefálico – condição que exige cuidados redobrados com temperatura –, a tutora fez várias perguntas à equipe do Clube Auau, localizado no bairro Paquetá.

Ela foi tranquilizada com a garantia de que o local tinha ar-condicionado e tratamento adequado para as altas temperaturas. Na semana anterior à hospedagem, Bucky passou por um dia de adaptação, no dia 8 de janeiro, que custou R$ 130 e não apresentou problemas. Assim, Rosana fechou um pacote de 18 dias de hospedagem pelo valor de R$ 2.560, pois a família tinha uma viagem marcada para os Estados Unidos.

Quadro crítico e comunicação contraditória

Bucky foi deixado no hotel ao meio-dia de segunda-feira (12). Inicialmente, a família recebeu fotos do animal aparentemente bem. No entanto, por volta das 17h30, enquanto aguardavam o embarque em São Paulo, foram surpreendidos por uma mensagem informando que o cão havia passado mal e estava sendo levado a uma clínica veterinária.

Segundo Rosana, a equipe do hotel disse que os batimentos cardíacos do animal estavam normais, mas o laudo veterinário conta uma história diferente. Bucky chegou à clínica em estado crítico, com temperatura corporal de 40,7°C, rebaixamento de consciência, ausência de reflexos, taquicardia e cianose. O óbito foi registrado às 18h20, mas a tutora recebeu um vídeo do animal enviado às 18h37, o que levantou suspeitas sobre a cronologia dos fatos.

Família cancela viagem e busca responsabilização

A família cancelou a viagem internacional imediatamente e retornou a Santos. Eles registraram um boletim de ocorrência e pretendem entrar na Justiça contra o estabelecimento. Rosana deixa claro que o objetivo não é financeiro. "Não quero que ninguém mais se hospede nesse lugar, que ninguém sinta mais a dor que a minha família está sentindo", declarou a engenheira. Ela também espera maior conscientização sobre os cuidados com pets no calor e mais fiscalização.

O Clube Auau, em nota, lamentou o ocorrido e se solidarizou com a família. A empresa afirmou que o cão participou de atividades normais durante a tarde e que o ambiente contava com medidas preventivas, como ventiladores e chão molhado. O estabelecimento destacou que atua há quase uma década, atendendo cerca de 50 animais por dia, incluindo outros cães braquicefálicos, e que nunca havia registrado um caso semelhante.

Apesar do reembolso do valor da hospedagem, para a família de Bucky, a perda é irreparável. "Estou em casa e tem vazio em todo lugar", desabafou Rosana, destacando que o animal era uma presença constante e amada por todos, incluindo os vizinhos.