Cachorro comunitário atacado com líquido quente em Goiânia enfrenta infecção generalizada
O cachorro comunitário Johnny, vítima de um ataque cruel com líquido quente enquanto dormia em uma calçada de Goiânia, sofreu uma piora significativa em seu quadro clínico e agora luta contra uma infecção generalizada. A última atualização sobre sua saúde foi divulgada na sexta-feira (20), revelando um cenário delicado que preocupa veterinários e protetores de animais.
Quadro clínico grave e risco aumentado
Segundo a médica veterinária Ana Paula Freires, responsável pelo tratamento, Johnny apresentou oscilações preocupantes ao longo do dia. O animal chegou a mostrar sinais de melhora, mas depois descompensou e precisou ser colocado em suporte de oxigênio. Exames laboratoriais identificaram uma infecção bacteriana severa, que evoluiu para um quadro de sepse – condição crítica que pode levar ao óbito.
"Infelizmente o risco de óbito dele aumentou e hoje a gente ficou muito preocupada com a condição que ele apresentou", afirmou a veterinária. Apesar do susto, Johnny conseguiu se estabilizar temporariamente e voltou a se alimentar e beber água, mas permanece sob monitoramento constante na unidade de cuidados intensivos.
Freires explicou que pacientes com queimaduras extensas, como é o caso de Johnny que sofreu lesões em aproximadamente 50% do corpo, têm maior predisposição para desenvolver infecções graves e complicações renais. Felizmente, até o momento, os rins do animal mantêm funcionamento normal.
Investigação policial em andamento
A Polícia Civil continua investigando o crime ocorrido no dia 5 de março, no Setor Castelo Branco. De acordo com a delegada Simelli Lemes, duas testemunhas já prestaram depoimentos que ajudaram a esclarecer aspectos importantes do caso:
- Uma testemunha relatou que vinha cuidando do cachorro há cerca de 30 dias e que, no dia do crime, o animal apareceu com sinais evidentes de dor e com substância semelhante a óleo impregnada em sua pelagem. Esta mesma pessoa realizou os primeiros cuidados na limpeza dos ferimentos.
- Outra testemunha afirmou que só tomou conhecimento do caso dias depois, ao analisar imagens de câmeras de segurança do local. As gravações confirmaram a agressão e motivaram o acionamento das autoridades policiais.
Segundo a delegada, os depoimentos contribuíram para esclarecer a possível substância utilizada no ataque e a dinâmica do crime. A investigação segue agora com a oitiva da suspeita e de outras possíveis testemunhas antes do envio do inquérito ao Poder Judiciário.
Confissão e arrependimento da suspeita
A moradora suspeita de cometer o crime inicialmente negou a agressão, mas posteriormente confessou ter jogado o líquido quente sobre o animal. De acordo com sua defesa, a mulher está arrependida pelo ato. A perícia já confirmou que Johnny sofreu queimaduras térmicas graves decorrentes do ataque.
Imagens de câmeras de segurança capturaram o momento exato da agressão: o cachorro estava deitado tranquilamente na calçada quando uma mulher se aproximou e despejou o líquido quente sobre seu corpo. O animal fugiu imediatamente, emitindo gritos de dor.
Próximos passos e acompanhamento
A delegada informou que a investigação ainda não foi concluída, mas a previsão é de que o inquérito seja finalizado na próxima semana. O caso continua sendo acompanhado de perto, inclusive com atenção especial ao estado de saúde do animal.
Após a conclusão do inquérito, será formalizado um responsável legal por Johnny, que também deverá passar a ser acompanhado pela Diretoria de Bem-Estar Animal da Agência Municipal do Meio Ambiente (Amma). O cachorro continua internado em tratamento intensivo, acolhido por moradores da região que se mobilizaram para garantir seus cuidados veterinários.
A situação de Johnny serve como alerta para a necessidade de maior proteção aos animais comunitários e para a importância da denúncia de maus-tratos. Enquanto luta pela vida, o animal representa a resistência frente à violência gratuita e a esperança de justiça para todos os seres vulneráveis.



