Leandro Vieira critica PL que proíbe imagens sacras no Carnaval
Carnavalesco critica projeto que proíbe imagens sacras

Um projeto de lei em análise na Câmara dos Deputados está gerando forte reação no mundo do samba. O carnavalesco Leandro Vieira, da Imperatriz Leopoldinense e da União de Maricá, criticou publicamente a proposta do deputado federal Pastor Gil (PL-MA) que visa proibir a veiculação de imagens sacras e satânicas em desfiles de escolas de samba e outros eventos carnavalescos.

O que diz o projeto de lei

O Projeto de Lei 830/25, apresentado pelo parlamentar, classifica como desrespeitosas "quaisquer formas de expressão artística que ofendam ou ridicularizem as crenças, rituais ou valores das tradições cristãs, católicas ou evangélicas". A justificativa do deputado é que a "crescente presença de elementos profanos" nos desfiles tem causado preocupação entre fiéis e na sociedade.

O texto estabelece punições rigorosas para quem descumprir a norma, caso ela seja aprovada:

  • Advertência formal na primeira infração.
  • Multa de 300 salários mínimos em caso de reincidência.
  • Suspensão das atividades da escola ou organização por até 36 meses para infrações repetidas.

A contundente resposta do carnavalesco

Leandro Vieira, um dos nomes mais respeitados do Carnaval carioca na atualidade, não poupou palavras ao comentar a iniciativa legislativa. Para ele, a proposta "desconhece o caráter pedagógico dos desfiles" e "despreza o aspecto cultural" das abordagens apresentadas pelas agremiações.

O artista defende que os desfiles são espetáculos narrativos de altíssimo nível estético, musical e coreográfico. Ele argumenta que proibir genericamente o uso de "imagem sacra" é ignorar uma realidade cultural brasileira profunda.

"Desconsidera que, no Brasil, a tradição religiosa popular é também uma expressiva manifestação cultural do povo e, portanto, uma das premissas para expressões artísticas ancoradas na cultura brasileira como um todo", afirmou Vieira.

Uma tradição em debate

A discussão toca em um nervo sensível da cultura nacional, onde o sagrado e o profano frequentemente se entrelaçam, especialmente durante o Carnaval. O enredo citado na notícia, 'Só com a ajuda do santo' da Estação Primeira de Mangueira em 2017, é um exemplo claro de como as escolas historicamente abordam temas religiosos e folclóricos com reverência e sentido artístico, não com intenção de ofensa.

O projeto do deputado Pastor Gil agora segue para análise nas comissões da Câmara, onde deve enfrentar um intenso debate entre defensores da liberdade artística e aqueles que buscam maior regulação sobre o conteúdo dos desfiles. A reação de figuras centrais do Carnaval, como Leandro Vieira, indica que a polêmica está apenas começando e promete esquentar os preparativos para as próximas festividades.