O município de Hulha Negra, localizado na Região da Campanha do Rio Grande do Sul, marca uma triste e difícil data: completa um ano convivendo com um rigoroso racionamento de água. A medida, implementada para enfrentar um problema histórico de abastecimento, suspende o fornecimento por quatro horas todos os dias, das 13h às 17h, desde o dia 2 de janeiro de 2025.
Uma rotina de adaptação e falta
A dona de casa Adriana Freitas descreve a realidade que se repete diariamente. "Chega de tarde e já não tem água. É bem fraquinho, não chega nas torneiras, no chuveiro não chega também", relata. A suspensão no período da tarde transformou a rotina dos moradores, que precisam se planejar antecipadamente para as tarefas domésticas mais básicas.
O prefeito Fernando Campani explica que a causa principal é a escassez de chuvas na região. Como a cidade é abastecida majoritariamente por poços artesianos, que dependem da infiltração da água da chuva no solo, os níveis não se recuperam o suficiente. "Os nossos poços, a grande maioria, não só têm limitações químicas, mas também têm limitações de quantidade. São poços de pequena vazão", detalha o gestor.
O improviso dos moradores para sobreviver à seca
Diante de uma situação que se tornou recorrente, a população de Hulha Negra desenvolveu suas próprias estratégias para garantir o mínimo de água no dia a dia. A adaptação é a palavra de ordem. "Onde der para armazenar água, tá valendo para driblar a falta d'água. Você se adapta na forma que dá: junta para fazer almoço, já faz a janta, deixa pronta, e vamos levando", conta Adriana Freitas.
Já a empresária Adriana Kloppenburg, proprietária de um supermercado local, precisou tomar uma medida mais drástica. Para não parar as atividades, especialmente da padaria anexa ao estabelecimento, ela investiu R$ 4 mil em um sistema alternativo que puxa água diretamente da caixa d'água. "A partir do momento que a gente tem [água] na caixa, a gente tem água pra trabalhar, pra fazer a produção. Se faltou água, tem que recolher os serviços", explica, destacando o impacto econômico da crise hídrica.
A busca por uma solução definitiva
Em busca de uma saída para o problema crônico, a Prefeitura de Hulha Negra decretou situação de emergência no fim de 2025 por conta do déficit hídrico. O plano, conforme anunciado pelo prefeito Campani, é ambicioso e visa uma solução de médio prazo.
A ideia é captar água da barragem do Rio Jaguarão e conduzi-la até uma estação de tratamento que está sendo recuperada após mais de seis anos abandonada. "Vamos colocar em funcionamento até março de 2026", afirmou o prefeito. Enquanto essa obra não se concretiza, os moradores seguem contando as horas e armazenando água em baldes, na esperança de que a normalidade no abastecimento um dia volte.