Descoberta botânica na Caatinga presta tributo à arqueóloga Niède Guidon
Uma nova espécie de planta, identificada no bioma da Caatinga, recebeu o nome científico Machaerium guidone em homenagem à renomada arqueóloga Niède Guidon. A descoberta, realizada por pesquisadores brasileiros, destaca a importância da preservação do patrimônio histórico e ambiental do país, um legado fortemente associado à homenageada.
Características e distribuição da Machaerium guidone
A Machaerium guidone é uma leguminosa nativa da Caatinga, podendo se apresentar como liana ou arbusto escandente. Sua ocorrência está registrada em estados do Nordeste e Sudeste, incluindo Piauí, Bahia, Ceará, Maranhão e Minas Gerais. A planta é adaptada a ambientes secos, sendo encontrada em áreas de Caatinga arbórea e em regiões de transição com o Cerrado.
Lianas são plantas trepadeiras, geralmente lenhosas, que dependem de suportes como árvores para crescer e acessar a luz solar, sendo comuns em ecossistemas como a Caatinga.
Pesquisa e publicação científica
A espécie foi formalmente descrita em um artigo científico publicado em 2026 pelos pesquisadores Valner Matheus Milanezi Jordão, Daniela Sampaio e Fabiana Luiza Ranzato Filardi, vinculados à Universidade Estadual Paulista (Unesp) e ao Jardim Botânico do Rio de Janeiro. O estudo detalha aspectos morfológicos, distribuição geográfica, floração (entre outubro e janeiro) e frutificação (de fevereiro a agosto).
Com esta descoberta, o gênero Machaerium passa a contar com 14 espécies registradas na Caatinga, ampliando o conhecimento sobre a biodiversidade do bioma.
Homenagem a Niède Guidon e seu legado
A escolha do nome Machaerium guidone é uma homenagem póstuma a Niède Guidon, cuja atuação foi fundamental para a criação do Parque Nacional da Serra da Capivara, no Sul do Piauí. Este parque abriga sítios arqueológicos de relevância mundial, e a homenagem reconhece as contribuições de Guidon para o avanço do conhecimento sobre a presença humana nas Américas e para a preservação do patrimônio natural e cultural da região.
Estado de conservação e perspectivas futuras
De forma preliminar, a espécie foi classificada como de "menor preocupação" em relação ao risco de extinção. No entanto, os autores do estudo ressaltam a necessidade de mais levantamentos e pesquisas para compreender melhor sua distribuição e ecologia, garantindo sua conservação a longo prazo.
Esta descoberta não apenas enriquece a flora brasileira, mas também simboliza a interconexão entre ciência, cultura e preservação ambiental, valores defendidos por Niède Guidon ao longo de sua trajetória.



