Pescador aposentado transforma ilha do Penedo em santuário ambiental no ES
Pescador transforma ilha do Penedo em santuário ambiental no ES

Pescador aposentado transforma ilha do Penedo em santuário ambiental no Espírito Santo

Um pescador aposentado transformou um pedaço do Morro do Penedo, um cartão-postal do Espírito Santo, em uma missão de vida que já dura mais de cinco décadas. Agnaldo Moura, natural de Colatina, vive no local há mais de 50 anos, em uma casinha simples que se tornou uma base para recuperar e preservar a vegetação e as nascentes da área.

Da pesca à preservação: a jornada do Guardião do Penedo

Sem estudo formal, Agnaldo aprendeu o ofício de pescador com o pai e atuava principalmente na foz do Rio Aribiri, em Vila Velha, na Grande Vitória. Durante suas pescarias, ele se aproximou da ilha e conheceu o então proprietário, João Avanzo, que o contratou como caseiro. Anos depois, recebeu uma proposta que mudaria sua história: se ficasse 20 anos no local, ganharia metade da propriedade. Agnaldo aceitou o desafio e cumpriu o acordo, honrando a terra que recebeu desde 1972.

Recuperação ambiental e reconhecimento oficial

O pescador reflorestou trechos da Mata Atlântica, cuidou das nascentes e viu a área ganhar reconhecimento oficial. Em 1983, o local foi declarado patrimônio paisagístico natural do estado e, em 2007, se tornou a unidade de conservação Monumento Natural Morro do Penedo. Com 133 metros de altura, o Penedo é uma formação rochosa preservada que pertence a Vila Velha e se destaca na paisagem da Baía de Vitória.

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Desafios diários e criação do Instituto Guardião do Penedo

Apesar dos títulos, Agnaldo enfatiza que a preservação depende de esforço contínuo. Mais de uma tonelada de lixo é retirada mensalmente da ilha, material que chega principalmente trazido pela maré. Para ampliar o trabalho, foi criado o Instituto Guardião do Penedo, que facilita articulações com parceiros como prefeituras e o governo do estado. O primeiro objetivo é conseguir uma empresa que financie um projeto de infraestrutura no local.

Legado e futuro: preparando um sucessor

Aos 74 anos e convivendo com um câncer descoberto há 12 anos, Agnaldo já prepara um sucessor para dar continuidade ao seu trabalho. Ele expressou seu desejo de reduzir responsabilidades, mas garante que nunca deixará a ilha, considerando-a seu lugar no planeta. Seu plano é aproveitar a vida, restaurar seu catamarã e velejar pela costa do Brasil, enquanto o pupilo assume a preservação do santuário ambiental.

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