Furto de vírus H1N1 e H3N2 em laboratório da Unicamp gera prisão e investigação
A Sociedade Brasileira de Virologia (SBV) emitiu uma nota oficial afirmando que acompanha as investigações sobre o furto de amostras virais em um laboratório da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). A entidade destacou a confiança nos protocolos de segurança científica e na capacidade de resposta das instituições nacionais, sustentadas por uma estrutura regulatória sólida e por procedimentos rigorosos.
Segundo a SBV, os mecanismos de biossegurança existentes nas instituições de pesquisa brasileiras demonstraram efetividade, permitindo a rápida identificação do caso, a contenção dos materiais envolvidos e a adoção imediata das medidas cabíveis pelas autoridades competentes. A sociedade reafirmou o compromisso com a promoção da pesquisa científica responsável, ética e segura, ressaltando que a comunidade de virologia no Brasil atua com comprometimento, rigor técnico e responsabilidade social no estudo de agentes infecciosos.
Detalhes do caso e prisão da pesquisadora
A pesquisadora Soledad Palamare Miller, de 36 anos, foi presa e responderá em liberdade pelos crimes de furto, por colocar a saúde das pessoas em risco e pelo transporte sem autorização de material geneticamente modificado. De acordo com a Polícia Federal (PF), o marido dela, Michael Edward Miller, também é investigado pelo suposto envolvimento no furto.
A PF nega que tenha havido contaminação externa nesse caso e garante que todas as amostras foram recuperadas, com os vírus permanecendo apenas dentro da universidade. As amostras furtadas incluíam vírus como H1N1 e H3N2, e estavam armazenadas em um laboratório com o maior nível de biossegurança disponível no Brasil.
Investigação e localização das amostras
A investigação começou quando uma pesquisadora autorizada do Laboratório de Virologia do Instituto de Biologia da Unicamp notou, na manhã de 13 de fevereiro de 2026, o desaparecimento de caixas com amostras virais. No dia 23 de março, a PF cumpriu mandados de busca em laboratórios da Faculdade de Engenharia de Alimentos, que ficaram temporariamente interditados durante a ação.
A Polícia Federal localizou as amostras espalhadas em três locais diferentes:
- Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA): diversas caixas com amostras dentro de tubetes foram encontradas em um freezer lacrado.
- Laboratório de Doenças Tropicais (Instituto de Biologia): tubetes manipulados e abertos foram localizados no espaço reservado a Soledad dentro do freezer de outra professora. Próximo ao refrigerador, havia material descartado que provavelmente já havia passado por autoclave.
- Laboratório de Cultura de Células (Instituto de Biologia): uma grande quantidade de frascos descartados foi localizada em uma lixeira.
Cronologia dos eventos
- 13 de fevereiro: amostras de vírus somem do laboratório de virologia do Instituto de Biologia da Unicamp.
- 23 de março: laboratórios da Faculdade de Engenharia de Alimentos da Unicamp são interditados pela Polícia Federal para cumprimento de mandados de busca.
- 23 de março: PF encontra parte do material desaparecido nos laboratórios interditados e a pesquisadora é presa em flagrante.
- 24 de março: PF localiza o restante das amostras em outro laboratório do Instituto de Biologia. A suspeita não tinha autorização de acesso a nenhum dos locais onde as amostras estavam, mas conseguia entrar com a ajuda e consentimentos de outros pesquisadores.
- 24 de março: Justiça concede liberdade a Soledad, e a decisão menciona que as amostras eram de vírus.
- 25 de março: A Polícia Federal informa que o marido da pesquisadora, Michael Edward Miller, também é investigado por suspeita de envolvimento no furto de amostras.
Posicionamentos oficiais
A Sociedade Brasileira de Virologia enfatizou que o episódio reforça a importância de sistemas robustos de governança em biossegurança e evidencia a capacidade de resposta das instituições nacionais. A entidade reafirmou seu compromisso com o fortalecimento contínuo das práticas de biossegurança em todos os níveis.
A Unicamp, por sua vez, reafirmou em nota seu compromisso com o devido processo legal e com a sindicância interna instaurada para apurar o caso. A universidade destacou que todo o material recolhido está sob a guarda e responsabilidade legal da PF, e que está colaborando integralmente com as autoridades policiais e judiciárias para o esclarecimento dos fatos. Caso fiquem comprovadas as implicações criminais, a Unicamp tomará todas as medidas cabíveis para a devida responsabilização dos envolvidos no âmbito da legislação vigente.
O caso continua sob investigação, com análises periciais sendo realizadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e pelo Ministério da Agricultura e Pecuária, enquanto a comunidade científica acompanha os desdobramentos com atenção.



