Comitê exige que companhias aéreas respeitem limite de turistas em Fernando de Noronha
Comitê exige que aéreas cumpram limite de turistas em Noronha

Comitê gestor de Fernando de Noronha notifica empresas aéreas para cumprir acordo de limite turístico

O comitê gestor de Fernando de Noronha, composto por representantes dos governos estadual e federal, anunciou que notificará formalmente as companhias aéreas que operam na ilha para que respeitem integralmente o acordo de gestão compartilhada estabelecido para o arquipélago. O documento, que visa preservar o frágil ecossistema local, estabelece um limite máximo de 132 mil turistas por ano no Parque Nacional Marinho.

Limite ultrapassado e medidas corretivas

Em 2025, o Parque Nacional Marinho de Fernando de Noronha recebeu 139.901 visitantes, número que superou em quase 8 mil pessoas o teto anual permitido. O controle da visitação é realizado através do acesso à reserva ambiental, mas a fiscalização do fluxo aéreo se mostra crucial para o cumprimento da meta.

A chefe do ICMBio em Noronha, Lilian Hangae, explicou a necessidade urgente de intervenção: "Precisamos rever as autorizações de voos para Fernando de Noronha. O número de assentos vendidos para turistas já ultrapassou o limite neste ano. É preciso reduzir a quantidade de visitantes".

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Ampliação de vagas para moradores como solução

Para evitar a redução drástica de voos comerciais para a ilha, o comitê propõe uma solução alternativa: ampliar significativamente o número de vagas destinadas exclusivamente aos moradores locais em cada aeronave. Esta medida busca equilibrar a preservação ambiental com as necessidades da comunidade residente.

Lilian Hangae destacou que desde março de 2025, com o retorno de aviões de grande porte após manutenção da pista e a criação de voos diretos de São Paulo, houve uma redução não autorizada nas vagas para moradores. "Isso não é aceitável e não estava previsto nas condições da autorização de operação nessas aeronaves", afirmou a representante do ICMBio.

Problemas relatados pela comunidade

O comitê também deve recomendar formalmente que as companhias aéreas não removam moradores dos voos em casos de superlotação, prática que tem sido denunciada pela população local. Além disso, será defendida a retomada dos voos para Natal, capital do Rio Grande do Norte.

A dona de pousada Dora Martins Costa explicou a importância desta rota: "A comunidade tem forte ligação com o Rio Grande do Norte. Há familiares e trabalhadores que precisam desse voo. Uma frequência semanal já ajudaria muito".

Posicionamento das empresas e possíveis consequências

As companhias aéreas Azul, Gol e Latam operam atualmente na ilha. A Gol já se manifestou, informando que cumpre todos os acordos firmados com a Administração de Fernando de Noronha e opera dentro do número de voos permitido pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).

O comitê gestor pretende inicialmente negociar com as empresas aéreas os pontos identificados como problemáticos. Caso as recomendações não sejam atendidas, o grupo informou que pode acionar o Supremo Tribunal Federal (STF) para garantir judicialmente o cumprimento do limite de visitantes estabelecido no acordo de gestão compartilhada.

A análise completa da situação de visitação foi realizada por uma equipe técnica composta por representantes do ICMBio, da Administração da Ilha, da Empresa de Turismo de Pernambuco (Empetur) e da Agência Estadual de Meio Ambiente (CPRH), que constatou a necessidade urgente de ajustes na operação aérea para preservar o patrimônio natural de Fernando de Noronha.

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