Sistema Cantareira atinge pior nível para março desde 2016, com represa seca em Piracaia
Cantareira tem pior nível para março desde 2016, com represa seca

Sistema Cantareira registra pior nível para março desde 2016, com represa completamente seca em Piracaia

O Sistema Cantareira, principal fonte de abastecimento de água para a Região Metropolitana de São Paulo, enfrenta uma situação crítica ao iniciar o outono de 2026 com o pior nível para o mês de março desde 2016. Dados da Sabesp revelam que o sistema está operando com apenas 44% da sua capacidade total, um patamar alarmante que representa o menor índice para o fim do verão nos últimos dez anos.

Imagens mostram represa do Jaguari seca no Vale do Paraíba

Registros feitos nesta sexta-feira (27) pelo repórter Lucas Rangel, da TV Vanguarda, expõem a gravidade da situação. As fotografias capturam um trecho da Represa do Jaguari, localizada em Piracaia, no interior de São Paulo, completamente seco. A cena mostra vegetação e terra rachada onde antes havia água, com a ponte da rodovia que liga Piracaia a Joanópolis, com cerca de 20 metros de altura, agora sobre um leito vazio.

Há aproximadamente três anos, o nível da água nesse mesmo local atingia cerca de 16 metros de altura, contrastando drasticamente com a aridez atual. A Represa do Jaguari é uma das seis que compõem o Sistema Cantareira, juntamente com Jacareí, Atibainha, Cachoeira, Paiva Castro e Águas Claras, sendo fundamental para a segurança hídrica de cerca de 9 milhões de pessoas na região metropolitana.

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Dados históricos evidenciam declínio preocupante

Os números divulgados pela Sabesp traçam um panorama preocupante da evolução do volume do Sistema Cantareira em março ao longo dos últimos anos:

  • 2026: 44,0%
  • 2025: 58,2%
  • 2024: 77,2%
  • 2023: 80,9%
  • 2022: 45,2%
  • 2021: 52,6%
  • 2020: 64,2%
  • 2019: 55,2%
  • 2018: 54,3%
  • 2017: 65,8%
  • 2016: 35,3%

Embora o índice atual de 44% seja superior ao registrado em 2016, quando o sistema operava com apenas 35,3% durante a recuperação da grave crise hídrica de 2015, especialistas alertam que a tendência de queda nos últimos anos é um sinal de alerta. O sistema terminou o verão e iniciou o outono com 43,4% da capacidade, marcando o pior fim de estação de calor na última década.

Impactos e preocupações para a segurança hídrica

A situação atual do Cantareira reacende memórias da crise hídrica que assolou São Paulo há mais de uma década, levantando questões sobre a gestão dos recursos hídricos e a preparação para períodos de escassez. A visão de uma represa completamente seca, como a do Jaguari, serve como um lembrete visual poderoso dos desafios que a região enfrenta, especialmente considerando a importância do sistema para o abastecimento de milhões de habitantes.

Autoridades e ambientalistas destacam a necessidade de medidas urgentes para conservação de água e investimentos em infraestrutura, a fim de evitar que a situação se agrave ainda mais nos próximos meses. A combinação de fatores como mudanças climáticas, aumento da demanda e variações nos padrões de chuva exige uma abordagem proativa para garantir a sustentabilidade hídrica na região mais populosa do país.

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