Aguapés formam extenso 'tapete verde' no Rio Tietê entre Barra Bonita e Igaraçu do Tietê
Aguapés criam 'tapete verde' no Rio Tietê no interior de SP

Aguapés transformam Rio Tietê em imenso 'tapete verde' no interior paulista

Um fenômeno impressionante tomou conta do Rio Tietê no trecho entre os municípios de Barra Bonita e Igaraçu do Tietê, no interior de São Paulo. As águas do rio foram completamente cobertas por um denso "tapete verde" formado por aguapés, plantas aquáticas que se reproduzem rapidamente, especialmente durante os meses de verão. Imagens registradas recentemente revelam a extensão alarmante da área dominada por essa vegetação invasora.

Espécie invasora com crescimento descontrolado

Os aguapés são considerados uma espécie invasora que requer controle quando aparecem em quantidades excessivas. Isoladamente, cada planta não representa grande perigo, mas sua capacidade de flutuação permite que sejam carregadas pela correnteza, formando grandes ilhas vegetais ao se acumularem. Essas formações podem atingir proporções preocupantes, conforme explica o professor de Meio Ambiente e Recursos Hídricos Jozrael Rezende.

"Eles ocupam um espaço impedindo, inclusive, a fotossíntese no meio aquático. Com a presença, evapora-se muito mais água num reservatório infestado, cerca de cinco vezes mais", revela o especialista. Apesar de ajudarem na filtragem da água em pequenas quantidades, sua proliferação descontrolada causa sérios impactos ambientais.

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Causas da proliferação excessiva

Vários fatores explicam a quantidade anormal de aguapés observada atualmente:

  • Durante o período de chuvas, a enxurrada arrasta para dentro da água parte dos fertilizantes aplicados no solo agrícola
  • Isso deixa o Rio Tietê com excesso de nutrientes que servem como alimento para os aguapés
  • Como essas plantas se desenvolvem rapidamente com adubação, sua multiplicação ocorre de maneira desenfreada

O professor Rezende destaca que "isso está relacionado à poluição, isso está relacionado aos fertilizantes químicos utilizados na agricultura, que servem de alimentos para esses vegetais e os ajudam a crescer". Em alguns casos, as raízes das plantas podem ultrapassar um metro de comprimento, entrelaçando-se debaixo d'água e formando uma espécie de parede submersa.

Impactos na navegação e atividades econômicas

O principal impacto dessa proliferação é sentido no turismo e nas atividades econômicas locais que dependem do rio. Em 2025, embarcações ficaram dias sem conseguir navegar na parte alta do Tietê devido à concentração de plantas. Pescadores também relataram dificuldades significativas para exercer sua profissão.

Na área funciona a eclusa da usina hidrelétrica de Barra Bonita, que segue operando normalmente segundo a empresa responsável. No entanto, proprietários de barcos afirmam que, embora consigam subir pela eclusa, encontram obstáculos para continuar a viagem devido ao acúmulo de aguapés no trecho superior do rio.

Posicionamento da empresa responsável

Em nota oficial, a Auren Energia, responsável pela usina hidrelétrica, informou que não houve interrupção no funcionamento da eclusa de Barra Bonita. A empresa afirmou que, sempre que identifica aumento de macrófitas aquáticas, adota medidas operacionais como a abertura controlada das comportas do vertedouro, com autorização dos órgãos competentes.

Essas ações são coordenadas com a Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do Estado de São Paulo (Semil) e o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). Segundo a companhia, a presença dessas plantas está associada a fatores externos como:

  1. Variações de temperatura
  2. Disponibilidade de nutrientes
  3. Características ambientais do reservatório

A Auren Energia destacou que mantém diálogo constante com órgãos públicos, pescadores, profissionais da navegação e representantes da sociedade civil para avaliar soluções conjuntas para o problema. A empresa ressaltou que a geração de energia da usina segue operando normalmente, não sendo responsável pela proliferação dos aguapés.

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