Operação Yuruparí combate garimpo ilegal na Amazônia com apreensão de 36 estruturas
A Operação Yuruparí, uma ação coordenada pela Polícia Federal em parceria com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), foi concluída com sucesso após dez dias de intenso trabalho na Estação Ecológica Juami-Japurá, localizada no município de Japurá, no Amazonas. A operação, que teve início no dia 5 de abril e terminou nesta quarta-feira (15), resultou na apreensão e inutilização de mais de 30 estruturas utilizadas para a exploração ilegal de recursos naturais na região amazônica.
Balanço detalhado das apreensões
Segundo balanço divulgado pela Polícia Federal, foram inutilizadas e apreendidas um total de 36 equipamentos de garimpo ilegal, incluindo:
- 18 dragas utilizadas para extração mineral
- 12 rebocadores que auxiliavam no transporte de materiais
- 6 balsas que serviam como plataformas flutuantes para as operações
A operação contou com equipes especializadas e utilizou meios logísticos fluviais para acessar áreas remotas da estação ecológica. Todas as ações foram realizadas seguindo rigorosamente os critérios previstos em normativos ambientais brasileiros, garantindo a legalidade do procedimento.
Contexto de avanço de facções criminosas no garimpo
A Operação Yuruparí ocorre em um momento crítico onde facções criminosas como o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) têm transformado crimes ambientais em uma nova fronteira de poder na Amazônia. De acordo com o estudo Cartografias da Violência na Amazônia 2025, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, essas organizações passaram a tratar atividades ilegais como o garimpo como fonte estratégica de financiamento, lavagem de dinheiro e domínio regional.
Pelo menos três municípios amazônicos já registram atuação direta de facções com foco em crimes ambientais: Humaitá, Lábrea e Manicoré. Especialistas alertam que as facções utilizam o garimpo ilegal não apenas para extração de recursos, mas também como esconderijo para criminosos foragidos da Justiça e como parte de um sistema logístico compartilhado com o narcotráfico.
Sistema híbrido de crimes ambientais e tráfico
Investigadores revelam que opera na região um sistema híbrido onde drogas, ouro ilegal, madeira e armas circulam pelas mesmas rotas, utilizando a mesma infraestrutura. O ouro extraído dos garimpos ilegais se tornou a principal moeda utilizada por facções criminosas para financiar a compra de pasta-base de cocaína no Peru e na Colômbia, criando um ciclo perverso de financiamento do crime organizado.
O narcotráfico está diretamente ligado a um portfólio de crimes ambientais que servem tanto para gerar recursos financeiros quanto para lavar o dinheiro obtido com atividades ilícitas. Esta conexão perigosa transforma a exploração ilegal de recursos naturais em um componente essencial da engrenagem de poder das organizações criminosas na Amazônia.
Impacto das operações contra o garimpo ilegal
A Operação Yuruparí representa mais um capítulo no combate ao garimpo ilegal no Amazonas. Operações anteriores já resultaram na destruição de 375 estruturas ilegais e causaram prejuízos superiores a R$ 1 bilhão para as redes de garimpo ilegal na região. Apesar dos avanços, a Polícia Federal ainda não divulgou informações sobre possíveis prisões relacionadas à operação mais recente, nem detalhes específicos sobre como ocorreram as apreensões dos equipamentos.
A ação reforça a importância da atuação conjunta entre órgãos federais na proteção das unidades de conservação brasileiras e no combate às atividades que ameaçam tanto o meio ambiente quanto a segurança pública na região amazônica.



