MPF investiga empresas dos EUA e Suíça por extração ilegal de minério na Terra Yanomami
MPF investiga empresas por mineração ilegal na Terra Yanomami

MPF investiga empresas dos EUA e da Suíça por extração ilegal de minério na Terra Yanomami

O Ministério Público Federal (MPF) abriu recentemente um inquérito para investigar uma mineradora de Roraima e empresas da Suíça e dos Estados Unidos por exploração ilegal de minério na Terra Indígena Yanomami. O caso envolve a exportação de 732,8 toneladas de cassiterita ilegalmente extraída da reserva indígena entre os anos de 2021 e 2022, período marcado por intensa atividade do crime organizado na região.

Empresas e indivíduos envolvidos na ação criminosa

O MPF está apurando a responsabilidade das seguintes entidades:

  • Gerald Metals SARL (Suíça)
  • MLS Berkowitz Investments LLC (Estados Unidos)
  • Betser, uma mineradora comandada pelo empresário Christian Costa dos Santos

Christian Costa dos Santos foi preso pela Polícia Federal em 2023, após investigações que revelaram a movimentação de 250 milhões de reais em transações com minério retirado ilegalmente dos Yanomami. A operação policial, denominada Operação Rêmora, foi deflagrada em novembro de 2020 com o objetivo de desarticular uma associação criminosa suspeita de coordenar atividades de garimpo ilegal na área indígena.

Complexidade da investigação e medidas de reparação

O MPF está articulando medidas de cooperação jurídica internacional voltadas à reparação dos danos causados ao povo Yanomami. A investigação busca não apenas responsabilizar os envolvidos, mas também garantir que os impactos ambientais e sociais sejam devidamente compensados. A extração ilegal de cassiterita, um minério essencial para a produção de estanho, ocorreu em um contexto de vulnerabilidade da reserva indígena, submetida a ações predatórias que comprometem sua biodiversidade e a segurança das comunidades tradicionais.

Este caso ilustra os desafios enfrentados pelas autoridades brasileiras no combate à mineração ilegal na Amazônia, especialmente em terras indígenas protegidas por lei. A atuação do MPF reforça a necessidade de vigilância constante e de parcerias internacionais para coibir práticas criminosas que exploram recursos naturais de forma ilegal e prejudicam populações vulneráveis.