Chuvas intensas na Bahia deixam rastro de destruição e alerta laranja em todo o estado
Chuvas intensas na Bahia causam destruição e alerta laranja

Chuvas intensas castigam a Bahia com alerta laranja e deixam rastro de destruição

O estado da Bahia permanece sob alerta laranja de perigo devido às chuvas intensas que continuam a atingir diversas regiões neste fim de semana. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitiu o alerta, prevendo precipitações entre 30 e 60 milímetros por hora ou de 50 a 100 milímetros por dia, acompanhadas de ventos intensos que podem variar entre 60 e 100 km/h.

As condições climáticas adversas representam riscos significativos para a população, incluindo corte de energia elétrica, queda de galhos de árvores, alagamentos extensos e descargas elétricas perigosas. Diversas cidades do interior registraram grande volume de chuva desde a madrugada deste sábado (28), resultando em pontos de alagamento, famílias desalojadas e impactos severos em estradas e no transporte escolar.

Situação crítica no sul do estado

Em Itabuna, no sul da Bahia, a forte chuva deixou a ponte que dá acesso ao distrito de Itamaracá completamente submersa durante a noite de sexta-feira (27). Esta estrutura é considerada essencial para a mobilidade da região, e moradores relataram que o nível do rio subiu rapidamente, encobrindo totalmente a ponte. Embora a água tenha começado a baixar durante a madrugada, permitindo a circulação de veículos pela manhã, um ônibus de transporte coletivo enfrentou dificuldades para passar devido à vegetação acumulada.

Na cidade vizinha de Itapé, a chuva que começou por volta das 16h e durou cerca de 30 minutos acumulou aproximadamente 45 milímetros, resultando em ruas alagadas e casas invadidas pela água. Apesar dos transtornos significativos, não houve registro de desabrigados ou desalojados nesta localidade.

Já em Buerarema, também no sul baiano, o volume de chuva atingiu impressionantes 82 milímetros, forçando três famílias (cerca de oito pessoas) a serem desalojadas e acolhidas em uma escola da cidade. Felizmente, com a melhora das condições na manhã deste sábado, elas puderam retornar para suas residências.

Impactos em grandes centros urbanos

Em Feira de Santana, segunda maior cidade da Bahia, moradores relataram alagamentos extensos e dificuldade de locomoção após a forte chuva entre quinta-feira (26) e sexta-feira (27). Imagens enviadas por residentes mostram ruas completamente tomadas pela água, casas invadidas pelo esgoto e vias interditadas em diferentes pontos da cidade.

No bairro Gabriela, especificamente na Rua Alexandre Dumas, a via ficou completamente inundada, levando moradores a improvisarem barreiras na tentativa de impedir que a água invadisse suas residências. Na mesma região, o riacho que corta a localidade transbordou, deixando lama acumulada nas ruas.

A situação se agravou durante a tarde de sexta-feira, quando parte da cidade ficou sem energia elétrica por mais de uma hora. Com os semáforos apagados, houve congestionamentos em diversos pontos. A Neoenergia Coelba informou que a interrupção no fornecimento ocorreu por volta das 15h30 devido a um desligamento no sistema de transmissão que atende à rede de distribuição, consequência direta da forte chuva na região. A normalização do serviço ocorreu ainda na tarde de sexta.

Problemas no norte e oeste baiano

No norte do estado, a comunidade de Poço de Fora, na zona rural de Curaçá, também foi severamente afetada pelas chuvas. O acumulado recente de sexta-feira foi de 76 milímetros, segundo informações da prefeitura local. Estudantes que precisam se deslocar até Juazeiro para estudar enfrentaram dificuldades para atravessar riachos que cortam a comunidade, já que os dois acessos ficaram comprometidos com o aumento do volume de água.

Moradores expressaram preocupação com a volta para casa, temendo que o nível da água possa subir novamente. Produtores rurais também foram impactados, especialmente na produção de leite, pois não conseguem acessar a área de beneficiamento da comunidade.

Em Santa Maria da Vitória, a chuva caiu de forma intensa entre às 12h e as 18h de sexta-feira, provocando alagamentos em diversos pontos da cidade. Na Rua Tito Soares, no setor Doutor Roberto, a situação chegou a tal ponto que um morador foi visto trafegando de barco pela via completamente tomada pela água. No setor Parque de Exposição, ruas também ficaram alagadas, causando transtornos significativos para a população.

Já em Barra, cidade que registrou alagamentos ao longo da semana, a situação começou a se normalizar e as ruas não estão mais alagadas. Ao todo, 136 pessoas de 43 famílias atingidas pela chuva foram atendidas pela prefeitura. Apenas uma família continua alojada em uma escola da cidade, que foi adaptada como abrigo temporário para moradores afetados. O município decretou situação de emergência pelos próximos 180 dias.

Vitória da Conquista e medidas preventivas

Em Vitória da Conquista, nas últimas 24 horas, o acumulado médio foi de 34 milímetros, segundo o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden). A ventania registrada na manhã desta sexta-feira (28) provocou a queda de uma árvore no estacionamento de um supermercado atacadista, que atingiu dois veículos estacionados.

De acordo com informações da TV Sudoeste, afiliada da Rede Bahia na região, o motorista de um dos carros havia acabado de deixar as compras e saiu por poucos minutos quando o veículo foi atingido. Ele não ficou ferido, mas entrou em estado de choque e precisou ser encaminhado para atendimento médico. A gerência do estabelecimento iniciou conversas com os proprietários dos veículos para tratar do ressarcimento e da remoção dos carros.

Diante das condições climáticas adversas, a prefeitura de Vitória da Conquista publicou um decreto orientando o cancelamento de eventos, festas e atividades em praças e outros logradouros públicos enquanto durar o período de instabilidade meteorológica.

As chuvas intensas continuam a preocupar as autoridades baianas, com o Inmet mantendo o alerta laranja e recomendando que a população tome precauções extras, evite áreas de risco e fique atenta às orientações da Defesa Civil local.