Gladys Mae West, matemática pioneira do GPS, morre aos 95 anos nos EUA
Gladys Mae West, 'mãe do GPS', morre aos 95 anos

Gladys Mae West, a 'mãe do GPS', morre aos 95 anos nos Estados Unidos

A comunidade científica mundial lamenta a perda de uma de suas figuras mais influentes e silenciosas. Gladys Mae West, a matemática americana cujos trabalhos pioneiros estabeleceram as bases matemáticas essenciais para o desenvolvimento do Sistema de Posicionamento Global, conhecido como GPS, faleceu no sábado, 17 de janeiro de 2026, aos 95 anos de idade.

Sua trajetória de vida não representa apenas um triunfo intelectual extraordinário, mas também um poderoso testemunho de resiliência e determinação, enfrentando e superando as profundas barreiras impostas pela segregação racial e de gênero que marcavam os Estados Unidos durante o século XX.

Origens humildes e busca pela educação como rota de escape

Nascida em 1930 no Condado de Dinwiddie, na Virgínia, Gladys Mae West veio de uma família de agricultores que trabalhava nos campos de tabaco e algodão. Desde cedo, ela reconheceu na educação a sua única oportunidade para escapar desse destino limitado. Com esforço e dedicação, formou-se como primeira da turma no ensino médio, conquistando uma bolsa de estudos para ingressar no Virginia State College.

Na instituição, ela concluiu tanto a graduação quanto o mestrado em matemática, demonstrando um talento excepcional para a área. Em 1956, deu um passo crucial em sua carreira ao ser contratada pelo Campo de Provas Naval de Dahlgren, tornando-se assim a segunda mulher negra a trabalhar na base e uma das apenas quatro funcionárias negras no local naquela época.

Contribuições fundamentais para a geodesia e o GPS

Em uma era onde a computação ainda dava seus primeiros passos, Gladys West destacou-se pela sua habilidade em programar supercomputadores avançados, como o IBM 7030 Stretch, para analisar dados complexos provenientes de satélites. Seu trabalho mais decisivo e impactante envolveu a geodesia por satélite, uma tarefa verdadeiramente hercúlea que consistia em modelar matematicamente a forma irregular do planeta Terra, conhecida como geoide.

Como gerente do projeto Seasat, o primeiro satélite de sensoriamento remoto dedicado aos oceanos, West refinou e aperfeiçoou cálculos matemáticos que permitiram medir a superfície terrestre com uma precisão impressionante, chegando a centímetros. Sem esse modelo matemático extremamente preciso e detalhado, a tecnologia GPS que hoje orienta desde operações militares estratégicas até a navegação cotidiana em smartphones e aplicativos de mapas simplesmente não existiria.

Reconhecimento tardio e legado duradouro

Apesar da magnitude e da importância crucial de suas contribuições para a ciência e a tecnologia modernas, Gladys Mae West permaneceu como uma figura oculta durante décadas, com seu trabalho recebendo pouco reconhecimento público. Somente tardiamente, sua trajetória começou a ser celebrada, culminando em 2018 com a sua inclusão no prestigioso Hall da Fama dos Pioneiros do Espaço e Mísseis da Força Aérea dos Estados Unidos.

Sua sede insaciável por conhecimento nunca diminuiu. Após aposentar-se e recuperar-se de um acidente vascular cerebral, ela obteve o seu doutorado aos 70 anos de idade, demonstrando uma paixão contínua pelo aprendizado. Gladys West deixa um legado que transcende amplamente os limites da academia e da pesquisa pura.

Sempre que um ponto azul pisca em um mapa digital, guiando milhões de pessoas ao redor do globo em suas jornadas diárias, é o algoritmo da sua vida e do seu trabalho incansável que está em operação, moldando o mundo de maneira profunda e indelével.