Polícia Civil paralisa obra de campo de futebol em área protegida do Campo Olímpico de Golfe
Obra de campo de futebol paralisada em área protegida de golfe olímpico

Polícia Civil paralisa obra de campo de futebol em área protegida do Campo Olímpico de Golfe

A Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro realizou diligências em obras dentro do Campo Olímpico de Golfe, localizado na Barra da Tijuca, e determinou a paralisação imediata da construção de um campo de futebol. A intervenção policial ocorreu devido à ausência de licenças ambientais adequadas, que precisam ser apresentadas e analisadas antes da continuidade dos trabalhos.

Área de proteção permanente destinada exclusivamente ao golfe

Segundo as investigações em andamento, a construção do campo de futebol estava ocorrendo dentro da área originalmente destinada à prática do golfe, modalidade para a qual o espaço foi criado. Esta região é considerada uma área de proteção permanente, o que aumenta a gravidade das intervenções não autorizadas.

A Tanedo, empresa proprietária do terreno e responsável por ceder o espaço para a instalação do campo olímpico há mais de dez anos, reafirma que a destinação exclusiva da área é o fomento e desenvolvimento do golfe na cidade do Rio de Janeiro. Um termo assinado com a prefeitura em 2018 reforça que o uso deve ser restrito a esta modalidade esportiva.

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Histórico de usos irregulares e impasse judicial

Em janeiro deste ano, reportagens já haviam revelado que o Campo Olímpico de Golfe vinha sendo utilizado para finalidades completamente distintas de sua destinação original. Entre as atividades registradas estavam:

  • Manobras radicais de carros
  • Pousos de helicóptero
  • Realização de festas de casamento

O impasse entre as partes envolvidas já havia chegado à Justiça. A Tanedo entrou com pedido para reaver o controle total do espaço, enquanto a CRF Empreendimentos, empresa que atualmente administra o campo, busca continuar à frente da gestão do local.

Também em janeiro, a Justiça determinou que a CRF não poderia realizar qualquer atividade que extrapolasse a destinação original do campo, incluindo especificamente:

  1. Obras para construção de campo de futebol
  2. Operações de aeródromo privado ou heliponto
  3. Qualquer intervenção que modificasse estruturalmente a área

Continuidade das obras apesar da decisão judicial

Apesar da decisão judicial proferida em janeiro, a proprietária do terreno alega que as intervenções continuaram ocorrendo até a operação policial desta semana. O responsável pela CRF Empreendimentos e pela operação do campo é Carlos Favoretto, que, como administrador, teria a responsabilidade direta de preservar o meio ambiente no local.

Curiosamente, Favoretto também preside a Fundação São Francisco de Assis, entidade que administra o Fundo da Mata Atlântica – um fundo milionário destinado exclusivamente a projetos de preservação ambiental. Esta dupla função levanta questionamentos sobre a compatibilidade entre suas responsabilidades.

Posicionamentos das partes envolvidas

A CRF Empreendimentos, que administra o espaço, negou categoricamente que a Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro tenha interrompido as obras do campo de futebol nas instalações do Campo Olímpico de Golfe. A empresa afirmou possuir todas as licenças necessárias para a intervenção no local e atribuiu a situação a uma denúncia equivocada feita pela Tanedo.

Segundo a administradora, o caso está sendo discutido na Justiça e milhares de atletas, profissionais e amadores que frequentam regularmente o campo de golfe podem atestar o bom estado de conservação do espaço. A CRF ainda destacou que o local é referência mundial e recebe campeonatos internacionais regularmente.

A Polícia Civil informou oficialmente que agentes da Delegacia da Barra da Tijuca realizaram diligências para apurar informações sobre a realização de obra sem licença no Campo Olímpico de Golfe. De acordo com a corporação, foi realizada perícia técnica no local e a investigação criminal está em andamento.

A Prefeitura do Rio de Janeiro, por sua vez, informou que o licenciamento do campo de futebol no local está expirado, confirmando assim a irregularidade das obras. A reportagem solicitou um novo posicionamento à CRF Empreendimentos, mas não havia recebido resposta até a última atualização desta matéria.

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A situação permanece em aberto, com a investigação policial em curso e o processo judicial seguindo seu trâmite legal. A paralisação das obras deve permanecer até que todas as questões legais e ambientais sejam devidamente resolvidas pelas partes envolvidas e pelos órgãos competentes.