Enchentes em MG: Moradores em pânico salvam móveis enquanto buscas por desaparecido continuam
Enchentes em MG: Moradores em pânico salvam móveis

Enchentes Históricas em Minas Gerais Deixam Moradores em Alerta Constante

Moradores de uma cidade mineira enfrentam uma situação de desespero após chuvas torrenciais provocarem enchentes devastadoras. Com o rio subindo rapidamente, muitos correm para levar móveis e pertences para áreas mais seguras, temendo o pior. "Diz que vai chegar mais água, né? Olho no rio o tempo inteiro, todos", relata um residente, evidenciando a ansiedade coletiva.

Medo e Incerteza Durante a Noite

O pânico se instalou no fim do dia, quando em apenas quatro horas choveu o equivalente ao esperado para todo o mês de fevereiro. "Nem dormindo... Dormir a gente fica preocupado o tempo todo porque não sabe que pode subir de uma vez só", desabafa outro morador. Ele acrescenta: "Ele passou dos 8 aqui, já tem que sair fora já. Bate já debaixo da fundo da casa aqui, já está muito forte a água, uma força absurda".

Desaparecimento e Estragos Generalizados

A força das águas foi tão intensa que um homem foi arrastado pela correnteza e ainda não foi localizado pelas equipes de bombeiros, que seguem em buscas. A enxurrada causou destruição por toda a região, com o centro da cidade completamente isolado. A circulação agora só é possível de barco, revelando um cenário caótico com muito lixo boiando e carros submersos.

Uma equipe do Jornal Nacional acompanhou a Defesa Civil local, registrando a gravidade da situação. Voluntários têm sido cruciais nesse momento, oferecendo apoio emocional e logístico. "Aí a gente vem, faz o pequenininho, mas um gesto grande, né? O povo vibra muito", comenta um deles, destacando a importância da solidariedade.

Famílias em Luta para Salvar o que Resta

No meio do caos, famílias tentam desesperadamente salvar seus pertences. "Estava na expectativa de que a água não subisse tudo, só que a água subiu, chegou a um nível mais alto, as coisas começaram a boiar", conta um morador. Ele reflete sobre as perdas: "A gente está tentando salvar o que a gente ainda tem tempo. Perdemos um bocado, mas se Deus quiser, né? Fácil não é, ninguém falou que seria fácil. É muito difícil, muito difícil e muito ruim".

Resgates Emocionantes e Apoio Voluntário

Casos como o de Marquinhos, um jovem de 21 anos autista, ilustram a dimensão humana da tragédia. Com a água batendo no peito, ele foi colocado com dificuldade no barco de voluntários vindos da cidade vizinha de Leopoldina, sendo acalmado com carinho durante o resgate. Sua mãe preferiu seguir a pé ao lado dos socorristas.

Voluntários enfatizam a necessidade de união nesses momentos críticos. "Tem as pessoas que não conseguem ficar, essa situação às vezes estão em pânico, querem sair do local. A gente dá um apoio. Se a prefeitura e os voluntários não se unissem, aí nós não conseguiríamos atender totalmente a população", afirma outro voluntário. Uma mulher que ajuda nas operações ressalta: "Eu, minha filha, meu amigo, nós viemos para ajudar eles aqui. Solidariedade é tudo nessa hora, tudo mais importante. Sua casa ficou debaixo da água? Eu moro em cima, até chegar já entrou".

Enquanto as águas não baixam, a comunidade local segue em estado de alerta máximo, dependendo da coragem dos voluntários e da eficiência dos órgãos públicos para enfrentar uma das piores enchentes das últimas décadas em Minas Gerais.