Deslizamento de rochas soterra casa em Afonso Cláudio, ES; atraso na obra salva família
Deslizamento soterra casa no ES; atraso salva família

Deslizamento de rochas soterra casa em construção no Espírito Santo; atraso na obra evita tragédia maior

Um deslizamento de rochas ocorreu na tarde de sexta-feira (6) em Afonso Cláudio, na Região Serrana do Espírito Santo, soterrando completamente uma casa em construção. O incidente, que chamou a atenção de moradores locais, poderia ter sido muito mais grave se não fosse por um atraso na obra, que impediu que a família, incluindo duas crianças de 6 e 11 anos, já estivesse morando no imóvel.

Trabalhador escapa por pouco com ferimentos leves

No momento do acidente, apenas Fábio da Silva, de 44 anos, autônomo e marido da proprietária, estava no local, realizando ajustes na construção. Ele ouviu barulhos estranhos durante uma pausa para o almoço e, ao sair para investigar, percebeu o desprendimento das rochas. Com rapidez, conseguiu correr e escapar, sofrendo apenas ferimentos leves. "Apesar do susto, ele diz que está muito tranquilo por ter saído vivo de lá. É triste a gente perder bens materiais desse jeito. Eram gastos importantes para a gente, mas o principal é ele estar vivo", relatou Ariane Pereira, esposa de Fábio e dona do imóvel.

Família se muda para área rural e enfrenta revés na construção

O casal havia se mudado de Vila Velha, na Grande Vitória, para Afonso Cláudio em fevereiro do ano passado, com o objetivo de criar as filhas próximas dos avós. A construção da casa começou em agosto na região de Córrego do Firme, a cerca de 16 quilômetros do Centro da cidade. A previsão era que a obra estivesse concluída, mas atrasos comuns fizeram com que a família ainda residisse em uma casa cedida por um vizinho, localizada um pouco abaixo do local do deslizamento.

Ariane destacou que a família planejava passar o sábado (7) trabalhando na casa, incluindo as crianças. "Graças a Deus por isso. Meu marido estava sozinho fazendo alguns ajustes, passando mangueira de energia nas paredes. No sábado, a previsão era de que a gente fosse para lá, todo mundo, passar o dia trabalhando na casa, inclusive com as meninas", contou.

Perdas materiais e decisão de não reconstruir no local

Além da casa, a família perdeu uma moto, ferramentas de trabalho de Fábio e um telefone celular comprado há 15 dias. Imagens registradas por moradores mostram o momento em que a residência desaparece sob as pedras. Diante do trauma, a família decidiu não reconstruir no mesmo local. "Foi um livramento, é só o que ele diz. Mas construir lá de novo não tem condições. Meu marido disse que não consegue, não tem a mínima vontade", afirmou Ariane. Ela acrescentou que a família agora planeja comprar um lugar menor em uma região mais segura.

Defesa Civil interdita casas próximas e novos deslizamentos são relatados

A Defesa Civil Municipal interditou casas próximas à área do deslizamento devido ao risco de novas quedas. Um imóvel pertencente a um parente do casal apresentou trincas após o incidente. Moradores relataram ter ouvido novos barulhos de deslizamento na madrugada de segunda-feira (9), indicando que a situação ainda é instável. "Eu voltei lá para ver. São mais de 10 metros de altura de terra e pedra. Nossa casa não ficava muito próxima, estava sendo construída em um local permitido, nos fundos da casa do meu tio, que foi uma das interditadas. Essa noite caiu outro pedaço grande. Minha mãe ouviu de longe e até passou mal", disse Ariane. Os moradores em áreas de risco foram realocados para casas de parentes.

O deslizamento serve como um alerta para os perigos geológicos na região serrana do Espírito Santo, destacando a importância de monitoramento e prevenção por parte das autoridades locais.