As buscas por desaparecidos na tragédia que assolou a Zona da Mata de Minas Gerais entraram no quarto dia, em meio a um cenário de devastação e luto. O atual período chuvoso, que começou em outubro de 2025, já se consolidou como o mais letal dos últimos 20 anos no estado, superando marcas históricas e deixando um rastro de destruição.
Números alarmantes da tragédia
Até as 16h30 desta sexta-feira (27), a Polícia Civil confirmou um total de 79 mortes em decorrência das chuvas em Minas Gerais desde outubro do ano passado. Desse total, 68 óbitos estão diretamente ligados à tragédia na Zona da Mata, com 62 vítimas registradas no município de Juiz de Fora e outras seis em Ubá. Antes do desastre na região, o estado contabilizava 11 mortes relacionadas ao período chuvoso deste ano.
Recorde histórico de fatalidades
Segundo dados da Defesa Civil de Minas Gerais, o número atual de 79 óbitos já supera o recorde anterior do período chuvoso de outubro de 2019 a março de 2020, quando foram registradas 74 mortes. Esta é a maior marca de fatalidades em um único período chuvoso desde que os registros começaram a ser sistematicamente acompanhados.
Comparativo histórico dos últimos 20 anos
Para contextualizar a gravidade da situação atual, segue um panorama das mortes registradas nos períodos chuvosos de outubro a março dos últimos anos:
- 2006/2007: 26 óbitos
- 2007/2008: 20 óbitos
- 2008/2009: 44 óbitos
- 2009/2010: 20 óbitos
- 2010/2011: 23 óbitos
- 2011/2012: 20 óbitos
- 2012/2013: 24 óbitos
- 2013/2014: 23 óbitos
- 2014/2015: 6 óbitos
- 2015/2016: 4 óbitos
- 2016/2017: 18 óbitos
- 2017/2018: 12 óbitos
- 2018/2019: 18 óbitos
- 2019/2020: 74 óbitos
- 2020/2021: 22 óbitos
- 2021/2022: 30 óbitos
- 2022/2023: 22 óbitos
- 2023/2024: 6 óbitos
- 2024/2025: 27 óbitos
- 2025/2026: 79 óbitos (até o momento)
Cenário de destruição em Juiz de Fora
Imagens de drone capturadas nesta quarta-feira (25) revelam a extensão dos alagamentos em Juiz de Fora, mostrando bairros completamente submersos e infraestruturas severamente danificadas. A cidade se tornou o epicentro da tragédia, concentrando a maior parte das vítimas fatais e exigindo esforços contínuos de resgate e assistência à população afetada.
As equipes de busca seguem trabalhando incessantemente no quarto dia de operações, na esperança de localizar desaparecidos e prestar auxílio às famílias desabrigadas. A situação permanece crítica em várias localidades da Zona da Mata, com previsões meteorológicas indicando a continuidade de chuvas intensas na região.



