Araripina decreta situação de emergência após fortes chuvas no sertão pernambucano
O município de Araripina, localizado no Sertão de Pernambuco, decretou oficialmente situação de emergência devido às fortes chuvas que atingiram a região na última sexta-feira, dia 28 de fevereiro. A medida foi estabelecida por meio de um decreto municipal que reconhece um desastre natural classificado como chuvas intensas, afetando tanto áreas urbanas quanto rurais da cidade.
Volume pluviométrico histórico e impactos imediatos
De acordo com dados da prefeitura e da Agência Pernambucana de Águas e Clima (Apac), o volume de chuva registrado em fevereiro superou significativamente a média histórica para o mês. Foram acumulados 286 milímetros, com destaque para 101 milímetros apenas no último sábado. Este é considerado o período chuvoso mais intenso dos últimos 22 anos em Araripina, evidenciando a gravidade do fenômeno climático.
Os temporais provocaram alagamentos em pelo menos dez bairros da cidade, deixando ruas intransitáveis devido a enxurradas e invasão de água em residências e estabelecimentos comerciais. O transbordamento do Açude do governo agravou ainda mais os pontos de alagamento, complicando a situação de infraestrutura local.
Dados alarmantes sobre desabrigados e desalojados
Segundo informações oficiais da prefeitura, as chuvas resultaram em um cenário crítico para a população:
- 26 famílias desabrigadas, totalizando 105 pessoas que perderam suas moradias.
- 36 famílias desalojadas, somando 144 indivíduos que precisaram deixar temporariamente seus lares.
- Ao todo, aproximadamente 2 mil pessoas e 500 famílias foram afetadas diretamente pelas intempéries.
Entre os desabrigados, a distribuição por faixa etária revela um perfil vulnerável:
- 23 crianças de 0 a 11 anos
- 8 adolescentes de 12 a 18 anos
- 58 adultos de 19 a 59 anos
- 16 idosos com 60 anos ou mais
Além disso, foram contabilizadas três pessoas com deficiência e quatro acamadas ou com dificuldade de locomoção, grupos que demandam atenção especial em situações de emergência.
Danos materiais e estruturais extensos
Moradores relataram perdas significativas de móveis, eletrodomésticos e alimentos após a água invadir suas residências. No comércio local, especialmente na parte baixa da cidade, estabelecimentos registraram prejuízos consideráveis com danos a equipamentos e mercadorias, impactando a economia municipal.
Um parecer técnico da Comissão Municipal de Defesa Civil (Compdec) identificou danos estruturais graves em diversos setores:
- Residências e prédios públicos comprometidos
- Estradas vicinais, pontes e sistemas de drenagem danificados
- Prejuízos que afetam o abastecimento de água, transporte de pacientes e acesso a serviços essenciais
Os principais pontos de alagamento foram mapeados em localidades específicas:
- Ruas 7, 8, 9 e 10 do bairro Universitário (Cohab)
- Uma rua do bairro José Martins
- Casas próximas ao Canal São Pedro
- Bairro Cavalete 1
- Duas residências no distrito de Nascente
Ações de resposta e perspectivas futuras
As famílias desabrigadas foram encaminhadas para escolas da rede municipal, que suspenderam as aulas devido às condições climáticas adversas. A prefeitura e a Defesa Civil de Pernambuco informaram que continuam monitorando a situação de perto, orientando a população a evitar áreas alagadas enquanto o tempo permanece instável.
Com previsão de mais chuvas para os próximos dias, as autoridades mantêm alerta máximo. A situação exige atenção contínua para garantir a segurança dos moradores e a recuperação dos danos causados por este evento climático extremo, que já se configura como um dos mais severos da história recente de Araripina.



