Moradores do Ramal do Icuriã, localizado em Assis Brasil, no interior do Acre, denunciam as péssimas condições da via, que é o único acesso terrestre à Terra Indígena Mamoadate, à Reserva Extrativista Chico Mendes (Resex) e a outros ramais da região. Em um vídeo gravado por moradores, é possível observar a estrada intransitável devido à lama, o que dificulta a locomoção de quem precisa sair ou entrar na localidade.
Moradores relatam dificuldades
As imagens mostram trechos completamente tomados pela lama, impedindo até mesmo a passagem de veículos de grande porte. Em um dos registros, moradores aparecem utilizando uma enxada para tentar abrir passagem para uma caminhonete que atolou no ramal. O presidente da Associação Manxinerune Ptohi Phunputuru Poktsahi Hajene (Mappha), Lucas Artur Brasil Manchineri, afirma que o problema é antigo e se repete há anos, afetando cerca de 3 mil pessoas que dependem diretamente da via. “Há muitos anos essa situação continua. Entra prefeito, sai prefeito, entra governo, mas nunca conseguem melhorar esse ramal. Isso prejudica a saúde, a educação e a economia das comunidades”, declarou.
Impactos na educação e saúde
As más condições da estrada impedem o tráfego regular, afetando o transporte de professores e equipes de saúde. O custo do frete aumentou significativamente. Segundo relatos, a situação afeta diretamente a saúde das comunidades, especialmente em casos de remoção de pacientes e transporte de medicamentos. Já houve partos ocorridos no trajeto e mortes devido à demora. “Tudo piorou. Se quisermos pagar um frete por conta própria, o valor fica entre R$ 900 e R$ 1 mil no verão, e pode chegar a até R$ 1,7 mil no inverno”, destacou o presidente.
Reivindicações das comunidades
Lideranças indígenas encaminharam um pedido de providências aos órgãos públicos, solicitando a recuperação emergencial do ramal com serviços de pavimentação e drenagem, além de manutenção periódica. Também pedem a criação de uma linha de transporte enquanto o ramal não for asfaltado, para reduzir os custos de deslocamento. O pedido foi enviado ao governo do estado, Prefeitura de Assis Brasil, Instituto de Terras do Acre (Iteracre), Ministério Público Federal (MPF) e Ministério dos Povos Indígenas. O ramal foi aberto nos anos 2000 e, segundo os moradores, nunca recebeu melhorias estruturais permanentes.
Nota do Deracre
O Departamento de Estradas de Rodagem, Infraestrutura Hidroviária e Aeroportuária (Deracre) informou que os serviços de recuperação do Ramal Icuriã ainda não foram iniciados devido ao alto volume de chuvas na região. Como os serviços envolvem terraplenagem, limpeza mecanizada, cortes e aterros, a execução fica inviabilizada com o solo saturado. A intervenção integra a Operação Verão 2026. Segundo dados da Agência Nacional de Águas (ANA) e do Serviço Geológico do Brasil (SGB), as chuvas seguem acima do previsto no estado, impedindo o início dos serviços.



