O estado de São Paulo enfrenta um aumento significativo nos casos de desaparecimento de pessoas. Dados da Secretaria da Segurança Pública revelam que, apenas em 2026, já foram contabilizados 3.679 ocorrências, o que representa uma média alarmante de 41 desaparecimentos por dia. Essa tendência de alta vem se consolidando nos últimos anos, com 21,8 mil registros em 2024 e aproximadamente 23 mil em 2025.
Perfil dos desaparecidos e casos emblemáticos
A faixa etária mais atingida é a de 30 a 49 anos, seguida por jovens entre 18 e 29 anos e adolescentes de 13 a 17 anos. Neste último grupo está Miguel, de 17 anos, desaparecido desde agosto de 2025. Sua mãe, Ana Maria Lau, que reside com a família na região da Sé, centro da capital paulista, desde que imigrou de Angola em 2021, relata: “Ele saiu de casa dizendo que iria à igreja, mas um vizinho o convidou para uma balada. Ele foi e nunca mais voltou. Até agora não sei onde está. Por favor, me ajudem a encontrar meu filho”.
Um caso recente ilustra a complexidade dessas ocorrências, mas também traz esperança. Um professor universitário desaparecido há cinco anos foi localizado por policiais rodoviários enquanto caminhava pela Rodovia Washington Luís, entre Matão e Taquaritinga, no interior do estado. Durante a abordagem, ele contou que havia saído de casa anos atrás e viajava pelo país. Ao consultarem os sistemas, os agentes encontraram um boletim de ocorrência de desaparecimento. A família, moradora de Osasco, foi contatada, e o reencontro ocorreu após meia década.
Orientações da polícia e procedimentos
A delegada Ivalda Aleixo enfatiza que o registro do desaparecimento deve ser feito imediatamente, sem esperar 24 ou 48 horas. “Pode-se procurar uma delegacia ou registrar pela internet. O importante é informar o último local onde a pessoa foi vista ou deveria estar”, explica. Equipes especializadas atuam na busca, mantendo contato com hospitais, cidades vizinhas e outros estados, além de utilizar tecnologia para cruzamento de dados.
Enquanto milhares de famílias aguardam respostas, casos como o do professor reencontrado mostram que, mesmo após anos, é possível ter um desfecho positivo. A polícia reforça a importância do registro rápido para aumentar as chances de localização.



