Revolução estética sertaneja: de cabelos longos a chapéus cor-de-rosa
Revolução estética sertaneja: de cabelos longos a chapéus cor-de-rosa

A dupla Léo Canhoto e Robertinho, nos anos 1970, rompeu com a estética tradicional caipira ao adotar cabelos longos, óculos escuros e correntes, em contraste com o visual padronizado de irmãos como Tonico e Tinoco. O jornalista André Piunti destaca que, até então, o gênero seguia um padrão rígido, com roupas idênticas e simplicidade do campo. A dupla inovou ao incorporar guitarra, baixo e bateria, formando uma banda, o que levou Hudson, da dupla com Edson, a chamá-los de "primeira dupla hard rock do Brasil". Piunti ressalta que a música sertaneja sempre foi uma mistura de influências, e essa diversidade se intensificou com a Jovem Guarda e a urbanização do país.

Mudanças na sonoridade e no visual

Na década de 1970, as letras tornaram-se mais românticas e críticas, enquanto radialistas tradicionais acusavam duplas de "estragar o sertanejo". Inezita Barroso, por exemplo, barrava músicas em seu programa Viola, Minha Viola para preservar a cultura caipira. Piunti cita que Milionário e Zé Rico tiveram músicas vetadas por ela. Apesar das resistências, a adaptação foi crucial para a sobrevivência do gênero, atraindo o público jovem com visual moderno e individualizado.

Orgulho do campo na nova geração

Hoje, influenciadores do agro e artistas como Ana Castela impulsionam o orgulho das raízes rurais. Ana Castela revolucionou a moda feminina de rodeio, popularizando chapéus cor-de-rosa e cantando sobre fidelidade à identidade caipira, como na música "Olha Onde Eu Tô". Piunti explica que essa nova fase reflete o orgulho do jovem em ser do campo, sem vergonha de suas origens. A série "ÉPra Cantar" celebra essa evolução, com a dupla vencedora se apresentando na Festa de Peão de Barretos.

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