Estudo revela impacto da tarifa zero no transporte público
Pesquisadores da Universidade de Brasília (UnB) e da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) divulgaram, nesta terça-feira (5), um estudo que aponta que a implementação da gratuidade no transporte público nas 27 capitais brasileiras poderia injetar R$ 60,3 bilhões anuais na economia do país. O valor teria efeito semelhante ao do programa Bolsa Família, segundo os autores.
Pesquisa analisa distribuição de renda
Intitulada A Tarifa Zero no Transporte Público como Política de Distribuição de Renda, a pesquisa foi coordenada pelo professor Thiago Trindade, do Instituto de Ciência Política da UnB. O estudo defende que a medida pode ajudar a combater desigualdades raciais. O financiamento veio da Frente Parlamentar em Defesa da Tarifa Zero no Congresso Nacional, com apoio da Fundação Rosa Luxemburgo.
Liquidez imediata para as famílias
A gratuidade abrangeria o transporte metropolitano de ônibus e trilhos. Os pesquisadores usaram dados da Pesquisa Nacional de Mobilidade de 2024 e indicadores de operadoras. Foram descontados 24,38% de isenções já existentes (idosos, estudantes, pessoas com deficiência), cerca de R$ 14,7 bilhões. Assim, a injeção real seria de R$ 45,6 bilhões. Segundo Trindade, ao converter o gasto com passagens em renda disponível, o Estado estimula o consumo e a arrecadação de impostos.
Salário indireto e direito social
Os pesquisadores comparam a tarifa zero ao Bolsa Família, destacando que beneficiaria mais as camadas vulneráveis, a população negra e moradores de periferias. O estudo sugere tratar a gratuidade como direito social, nos moldes do SUS ou da Educação Pública. A implementação nacional reforçaria o protagonismo do Brasil na redução de desigualdades e no aprofundamento democrático.
Financiamento da política
As possibilidades de financiamento incluem substituir o vale-transporte por contribuições de empresas privadas e públicas com mais de dez funcionários. Estima-se que 81,5% dos estabelecimentos ficariam isentos. Trindade afirma que é possível implementar o programa sem onerar o orçamento da União.



