Passageiro idoso morre após passar mal em voo da Azul e ficar internado por 42 dias em Campinas
Faleceu na madrugada desta sexta-feira, 3 de maio, aos 79 anos, o passageiro Carlos Alberto Nunes de Lima, que havia passado mal em um avião da Azul Linhas Aéreas que pousou no Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas, no interior de São Paulo, no dia 20 de fevereiro deste ano. O idoso estava internado há exatos 42 dias no Hospital Municipal Dr. Mário Gatti, onde veio a óbito devido a complicações de saúde associadas a uma pneumonia grave.
Detalhes do voo e atendimento médico
A aeronave da Azul partiu de Portugal com destino final a Vitória, no Espírito Santo, onde reside parte da família do idoso. Carlos Alberto foi levado por uma nora ao aeroporto do Porto, em Portugal, e entregue aos cuidados de uma funcionária da companhia aérea. Imagens registradas momentos antes do embarque mostram o passageiro, visivelmente emocionado, se despedindo do filho enquanto era conduzido em uma cadeira de rodas por uma colaboradora da Azul.
De acordo com a resolução 280 da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e os protocolos da própria Azul, o idoso deveria receber tratamento prioritário e ser acompanhado durante toda a viagem. A família afirma ter solicitado explicitamente esse auxílio, incluindo o uso da cadeira de rodas e todo o suporte necessário da tripulação. A chefe de cabine teria sido avisada sobre as condições do passageiro e garantido que "estava tudo certo" para a viagem.
Piora do quadro de saúde e internação prolongada
A indisposição ocorreu logo após o pouso em Viracopos. Testemunhas relataram que o idoso foi encontrado desacordado em sua poltrona – situação que a Azul nega categoricamente – e rapidamente encaminhado a uma Unidade de Pronto-Atendimento (UPA). Posteriormente, ele foi transferido para o Hospital Mário Gatti, onde os médicos diagnosticaram o estrangulamento de uma hérnia umbilical como a provável causa do mal-estar inicial.
Nos primeiros dias de internação, Carlos Alberto chegou a ficar desacordado, mas apresentou uma melhora significativa após acordar. Sua filha, Andreia, relatou um comovente diálogo: "Conversei com ele quando acordou e pedi para colocar o polegar para cima para dizer 'sim' ou para baixo para dizer 'não'. Aí eu fiz a pergunta: 'você passou mal dentro do avião?' Ele disse que sim. Perguntei: você sentiu dor? Aí ele disse que sim e sussurrou bem baixinho 'muita dor'. Depois, ele me contou do cinto, que estava apertado".
Complicações fatais e desfecho trágico
Após nove dias de internação, o quadro de saúde do idoso piorou drasticamente. A família suspeita que ele tenha contraído uma infecção hospitalar, que evoluiu para uma pneumonia severa. O Hospital Mário Gatti, por sua vez, não confirma a infecção, mas atribui o óbito a "complicações associadas a uma pneumonia". Andreia descreveu os momentos finais: "Depois que ele pegou essa infecção, entubaram o meu pai de novo. Ficou até fazer traqueostomia. Aí teve uma melhora rápida, mas logo depois veio a falecer".
Os filhos do idoso devem chegar a Campinas na manhã deste sábado, 4 de maio, para providenciar a liberação e o translado do corpo. O g1 entrou em contato com a Azul Linhas Aéreas para obter um posicionamento oficial sobre o caso, mas ainda aguarda uma resposta da companhia.
Este triste episódio levanta questões importantes sobre os protocolos de atendimento a passageiros idosos e com necessidades especiais em voos comerciais, especialmente em viagens internacionais de longa duração. A família de Carlos Alberto agora enfrenta não apenas a dor da perda, mas também a busca por esclarecimentos sobre as circunstâncias que levaram ao agravamento de sua saúde durante e após o voo.



