FAB finaliza operação de testes com caça F-39 Gripen no Rio Grande do Norte
A Base Aérea de Natal sediou uma importante operação da Força Aérea Brasileira (FAB) dedicada ao desenvolvimento do caça F-39 Gripen. Os ensaios, que tiveram como objetivo testar o mecanismo de lançamento de bombas da aeronave, foram realizados ao longo de duas semanas e encerrados oficialmente nesta sexta-feira, dia 6.
Operação Thor valida segurança no lançamento de armamentos
Segundo o coordenador geral da Operação Thor, Coronel Aviador Alisson Henrique Vieira, os testes focaram no momento crítico em que o piloto aciona o botão de liberação de armamento. "Por vezes, podem ocorrer fenômenos aerodinâmicos que interferem neste processo e geram situações de insegurança ou até mesmo danos à aeronave", explicou o oficial. "Por isso, tudo é minuciosamente analisado para a validação, permitindo prosseguir com segurança até a liberação para uso operacional".
Os caças Gripen F-39 estão entre os mais tecnológicos do mundo, conforme destacado pela FAB, que encomendou pelo menos 36 unidades deste modelo. As primeiras aeronaves chegaram ao Brasil em 2020, com capacidade de alcançar impressionantes 2,4 mil km/h de velocidade.
Monitoramento em tempo real e pioneirismo brasileiro
Todos os ensaios foram conduzidos com a aeronave de matrícula 4100, alocada no Gripen Flight Test Center em Gavião Peixoto, São Paulo. O Major Aviador Thiago Camargo, do Instituto de Pesquisas e Ensaios em Voo (IPEV), comandou grande parte dos voos e se tornou o primeiro piloto brasileiro a lançar bombas com o F-39 Gripen.
De acordo com a FAB, cada lançamento foi monitorado em tempo real, verificando a separação segura das bombas e a estabilidade da aeronave em diferentes condições operacionais. No estande de tiro de Maxaranguape, ao norte da capital potiguar, uma equipe especializada acompanhava todos os voos, atuando na preparação de alvos, coordenações com a aeronave e registro de imagens para análise precisa dos pontos de impacto.
Mikael Olsson, chefe de Ensaios em Voos da empresa Saab (fabricante da aeronave), destacou que o Brasil foi a primeira nação a realizar a separação da bomba Mk84 e Lizard 500 laser guided a partir do Gripen, marcando um importante marco tecnológico.
Treinamento especializado e capacidades futuras
O Coronel Aviador Alisson ressaltou a complexidade dos testes: "O voo aqui é curto, porém, envolve uma interação grande do piloto com a máquina no sentido de ajustes e configurações não tão usuais na rotina. Por isso, recebemos uma carga de treinamento específico".
Antes mesmo da primeira decolagem, uma equipe técnica trabalhou extensivamente na avaliação dos pontos de ensaios e na mitigação de quaisquer riscos potenciais, garantindo a segurança total da operação.
A FAB informou que o F-39 Gripen possui tecnologias de ponta e os mais modernos sistemas, sensores e armas para operação em ambientes hostis e cenários de combate complexos. "Em breve, a aeronave será capaz de cumprir missões de defesa aérea, ataque ao solo e reconhecimento, tudo com eficiência, elevada disponibilidade e baixo custo de operação", afirmou a força aérea.
Esta operação representa mais um passo significativo no processo de integração e validação operacional do caça F-39 Gripen na frota da Força Aérea Brasileira, fortalecendo as capacidades de defesa nacional com tecnologia de última geração.



