Empresário brasileiro fica retido no Egito após pouso forçado em meio a ataques no Irã
O empresário e chef de cozinha Anderson Rodrigues Ribeiro Faria, de 38 anos, morador de Franca, no interior de São Paulo, está retido no Cairo, capital do Egito, há dois dias. A situação ocorreu após o voo em que ele viajava, com destino ao Japão, ser obrigado a realizar um pouso de emergência na tarde de sábado, 28 de abril, devido ao fechamento do espaço aéreo no Oriente Médio. O bloqueio foi causado por ataques coordenados dos Estados Unidos e Israel contra o Irã, que desencadearam uma guerra na região.
Viagem interrompida por conflito internacional
Proprietário de um restaurante de comida japonesa, Anderson viajava para Tóquio com o objetivo de realizar uma especialização culinária. O voo partiu de Guarulhos, na Grande São Paulo, na noite de sexta-feira, 27 de abril. Horas depois, a tripulação informou aos passageiros a necessidade de desviar da rota original. "A gente foi obrigado a descer no Cairo porque a gente estava no espaço aéreo de fogo cruzado. Um outro avião que vinha logo atrás conseguiu fazer meia volta e retornar para o Brasil, mas o nosso não tinha combustível para voltar, por isso fomos obrigados a descer no Egito", relatou o empresário em um vídeo.
Até a manhã desta segunda-feira, 2 de maio, Anderson afirmou que não recebeu uma definição clara da companhia aérea sobre os próximos passos. Ele permanece incerto se conseguirá seguir para a especialização no Japão ou se será necessário retornar ao Brasil. "Estamos com pouquíssimas informações, não sabemos que dia eu vou sair daqui, que dia eu vou conseguir seguir para o Japão, que era o meu destino. O cenário aqui não é de guerra, mas ainda estamos no meio do fogo cruzado e não temos informação correta ainda, definitiva", desabafou.
Tensão a bordo e dificuldades no desembarque
Segundo o brasileiro, o aviso de emergência ocorreu no momento em que os comissários de bordo se preparavam para servir o almoço. A aeronave pousou e permaneceu na pista do Aeroporto Internacional do Cairo por aproximadamente cinco horas, com os passageiros ainda no interior. Durante esse período, o sistema de internet do avião foi desligado, deixando todos sem informações claras sobre os eventos em solo. "A gente descobriu muitas horas depois que os Estados Unidos, juntamente com Israel, atacaram o Irã, mas ficamos ali muito tempo sem saber o que estava acontecendo de fato", explicou Anderson.
Como o desembarque no Egito não estava planejado, os passageiros precisaram emitir um visto emergencial para entrada no país. Anderson relatou enfrentar dificuldades financeiras durante o processo, pois as autoridades locais exigiam pagamento em dólar e em espécie. Ele, que levava apenas ienes (moeda japonesa) e cartões, quase foi impedido de seguir para o hotel. "Eu tinha iene, não tinha dólar. O cara não aceitava cartão e não tinha troco. Um pessoal na fila me ajudou, pagou para mim e depois eu fiz um Pix para eles", contou o empresário.
Aguardando definições e visitando as Pirâmides
Após os trâmites burocráticos, o grupo foi encaminhado para um hotel. Enquanto aguarda uma definição da companhia aérea sobre a retomada da viagem ou o retorno ao Brasil, Anderson aproveitou para visitar as Pirâmides de Gizé. Segundo ele, o clima na cidade é tranquilo, mas ainda não há previsão de liberação de voos para Doha, no Catar, onde seria sua conexão. "Amanhã [terça-feira, 3 de maio] a gente tem informação. Agora é descansar no hotel e ver o que vai acontecer. Ninguém sabe de nada. Vamos descobrir o que o Catar vai fazer com esse voo e com a gente que está aqui", disse.
Contexto do conflito internacional
Estados Unidos e Israel lançaram um grande ataque contra o Irã na manhã de sábado, 28 de abril, o que deflagrou uma guerra entre os três países. Explosões foram registradas na capital Teerã e em diversas outras cidades iranianas. Os bombardeios resultaram na morte do líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, e de outros membros de alto escalão da cúpula militar e de governo. De acordo com a organização humanitária Crescente Vermelho do Irã, em atualização desta segunda-feira, 2 de maio, 555 pessoas foram mortas desde o início dos ataques.
Em resposta, o Irã disparou mísseis contra o território israelense e contra bases militares norte-americanas no Oriente Médio. Essa troca de ataques continua desde então, com bombardeios diários presenciados em outros países da região. Os Estados Unidos informaram no domingo que três militares do país foram mortos, e o presidente Donald Trump prometeu "vingá-los", afirmando que "haverá mais [mortes] antes que [a guerra] acabe".



